Características
personais e carências personalísticas
Cristina Helena Sarraf
jornalcem@yahoo.com.br
A individualidade estabelecida desde nossa origem do Elemento Espiritual
criado por Deus, segundo as informações dos Espíritos
da Codificação, é sinônimo de que cada Espírito
tem, por desenvolvimento e maturação, características
específicas e exclusivas.
Se na origem éramos iguais, simples e ignorantes, mas individualizados,
á partir daí fomos nos diferenciando, cada vez mais. Mas
essa diferenciação não significa distanciamentos,
na medida em que temos sempre pontos de semelhança, pelo fato
de a justeza das leis divinas nos oportunizar as mesmas experiências,
embora aconteçam em momentos diversos, conforme as condições
e possibilidades que cada um vai tendo.
Na fase humana, chamamos de personalidade as características
que nos especificam em cada encarnação. Na realidade a
personalidade é mutável, na medida em que se mudam hábitos,
formas de nos conduzir, conceitos de vida e costumes; porque estes,
se bem que sustentados por nossa individualidade específica e
pelo temperamento espiritual que fomos desenvolvendo, refletem a exterioridade
das reações que temos, em função do que
a vida nos apresenta. Na medida em que as experiências e escolhas
vão mostrando suas consequências naturais, as alterações
íntimas vão transformando a personalidade. Num exemplo
bem simples: se mudarmos para a China, país bem distinto do Brasil,
aos poucos nossos costumes e atitudes mudarão e com isso nossa
personalidade será outra. E se tivéssemos nascido lá,
desde a infância seríamos diferentes do que nos tornamos
aqui.
A alma e seu temperamento, estejamos onde for, são os mesmos.
A exteriorização chamada de personalidade depende de onde
estamos, como vivemos, com quem convivemos e como nos conduzimos.
Pode parecer que nossas características são fixas e seriam
as mesmas, haja o que houver. Mas, basta pensarmos como seríamos
se só convivêssemos com amigos e pessoas que nos ajudam
e beneficiam, para verificarmos que a convivência com outro tipo
de pessoas, que fazem parte da vida e da sociedade humana, acessam reações,
emoções e condutas, que diferem muito daquela que nos
caracterizaria no exclusivo convívio com o amor, o respeito e
a consideração.
Em ambos os casos, somos a mesma pessoa, mas em cada um estão
acessados e em funcionamento, alguns dos nossos aspectos, em maior ou
menos intensidade; os quais, embora sejam nossos, só são
usados e até podem predominar, temporariamente, quando “chamados
e acordados”, pelo que vem de fora. Por isso, a vida em sociedade
e família é tão significativa para o nosso progresso.
Só ela nos desperta e mostra quem somos, permitindo trabalharmos
melhor essas nuances, nem sempre boas. Assim se faz o processo evolutivo:
do menos para o mais.
O exterior a nós, ou seja, pessoas, Espíritos, situações,
acontecimentos e circunstâncias, embora nos envolvam, nos digam
respeito, nos interessem, nos toquem a alma ou o coração,
e até nos afetem, só podem ter o valor e a força
que lhes dermos, na proporção em que despertam reações
que disparam opções que apontam decisões que assumimos.
O interior de nós mesmos, é onde as coisas se fazem. O
Espiritismo nos diz que não há arrastamentos irresistíveis,
o que significa termos sempre condições de opção,
porque dotados de livre arbítrio. Portanto, da forma como sentimos,
pensamos e nos relacionamos conosco mesmos; com o zelo ou descaso que
damos ao que percebemos e para àquilo em que queremos nos disciplinar;
com o cultivo ou descuido às aspirações que temos,
é com isso que vamos nos caracterizando; e determinando assim,
as consequências naturais que acontecem fora de nós. O
exterior que tem a ver conosco, é um reflexo, uma exteriorização
do nosso interior.
A mediunidade, sendo um patrimônio da humanidade, se especifica,
em cada um, segundo a sua personalidade. Por isso, as carências
personalísticas, como nos ensinou o amigo espiritual Gilberto,
colorem nossa mediunidade, e podem encaminhá-la para a satisfação
das mesmas. O que, em última instância, faz com que médiuns
possam desvirtuar seus objetivos e condutas mediúnicos, em função
de vantagens, prestígio, vaidade, manipulação de
pessoas e situações, orgulho, predomínio, consideração,
etc, que despertam e angariam, em nome desse potencial, ainda visto,
por muita gente, como especial e superior.
No plano do ideal, a Mediunidade serviria apenas para o que ela é:
a possibilidade de perceber e entender os Espíritos. Mas em nossas
condições atuais, as carências personalísticas
podem ser supridas, de forma enviesada, através da mediunidade,
que passaria a servir de trampolim para a pessoa atendê-las.
Se bem que cada um é o proprietário de sua faculdade mediúnica,
porque foi quem a desenvolveu, nas muitas encarnações,
e portanto tem o direito de agir como considera melhor, uma análise
como esta visa diferenciar as coisas.
É importante perceber que é possível usar a mediunidade
como instrumento das próprias carências personalísticas,
mas seria melhor não lhe dar essa destinação, na
medida em que ela tem um objetivo específico, e conforme nós
agimos, assim serão as consequências naturais dos nossos
atos.
O médium que busque, obterá, na maior parte das vezes,
prestígio, reconhecimento público, atenções,
supervalorização, fãs que a seguem e incensam,
lugar na mídia, ser um fazedor de opiniões, etc. Mas,
se isso fosse um reflexo natural de suas capacitações,
estariam as coisas no lugar certo. Porem, como fruto de recursos de
mídia, de parcerias ou de açular o inconsciente coletivo
das pessoas, lembrando-as do passado histórico, quando os médiuns
eram considerados seres especiais, superiores e palavra final em tudo,
e colocando-se nessa condição, então há
algo fora do lugar.
Este estudo não tem nenhuma intenção de apontar
o dedo para quem quer que seja. Objetiva esclarecer e abrir um entendimento
maior sobre como somos, quem somos e como agimos com nossos potenciais.
Os valores devem ser valorizados. Os equívocos podem ser reconhecidos.
Tudo no intuito de que cada espírita encontre seu caminho para
a paz interna e o possível equilíbrio espiritual.