Influenza A H1N1
Novo Sub tipo Viral
Breve Histórico
Também conhecida como gripe, a influenza é uma infecção
viral aguda do sistema respiratório, causada pelo vírus
influenza de distribuição global e elevada transmissibilidade.
A influenza e suas complicações, principalmente as pneumonias,
são responsáveis por um grande número de internações
hospitalares no país. É uma doença muito comum
em todo o mundo, sendo possível uma pessoa adquirir influenza
várias vezes ao longo da vida. É freqüentemente confundida
com outras viroses respiratórias, especialmente com o resfriado
comum que geralmente é mais brando e causado por outros agentes
virais.
Os vírus influenza subdividem-se em três tipos: A, B e
C, de acordo com sua constituição antigênica e podem
sofrer mutações (transformações em sua estrutura).
Os tipos A e B causam maior morbidade (doença) e mortalidade
que o tipo C. Geralmente as epidemias e pandemias (epidemia em vários
países) estão associadas ao vírus influenza A.
Ele pode também, infectar e causar a doença entre as aves
selvagens e domésticas, suínos, focas e eqüinos que,
desse modo, se constituem em reservatórios dos vírus.
De modo geral o vírus influenza A e seus subtipos que infectam
os suínos não acometem a espécie humana, entretanto
infecções esporádicas têm sido relatadas
inclusive com transmissão interhumana.
Em 24 de abril a Organização Mundial de Saúde (OMS)
emitiu um alerta aos países membros sobre a ocorrência
crescente de casos de infecção humana pelo vírus
influenza A (H1N1), no México, e na seqüência EUA
e Canadá, tendo sido declarada a pandemia em 11 de junho com
a disseminação global do vírus e a transmissão
sustentada em vários países em pelo menos dois continentes.
A comunidade mundial acompanha pela primeira vez o desenvolvimento progressivo
de uma pandemia de influenza, de curso imprevisível, porém
há muito anunciada.
Influenza A H1N1 novo subtipo
viral
Inicialmente denominada de “gripe
suína”, a influenza A (H1N1) refere-se à infecção
humana pelo vírus influenza A, um novo subtipo viral, resultante
da recombinação genética do vírus suíno,
aviário e humano.
No presente, os sinais e sintomas de infecção humana pelo
influenza A (H1N1), novo sub tipo viral, são similares aos da
influenza sazonal com febre alta, perda do apetite, tosse, dor de cabeça,
dores musculares e alguns casos podem apresentar coriza, dor de garganta,
dispnéia (falta de ar), náuseas, vômitos e diarréia.
O quadro respiratório agudo pode englobar desde uma síndrome
gripal até pneumonia.
Os grupos de risco definidos para o desenvolvimento de complicações,
semelhante à gripe comum, são: crianças menores
de 2 anos e adultos com mais de 60 anos; pessoas com doenças
pulmonares crônicas, incluindo asma; doenças cardiovasculares,
renais, hepáticas, hematológicas, neurológicas,
neuromusculares e distúrbios metabólicos (diabetes mellitus).
Além destes, podemos citar ainda os indivíduos imunocomprometidos
(em uso de drogas imunossupressoras, HIV, etc.), as gestantes e os residentes
em instituições asilares.
A transmissão ocorre através das gotículas de saliva,
de pessoa a pessoa, expelidas, principalmente, por meio de tosse ou
espirro. O contato com superfícies contaminadas constitui uma
fonte possível de transmissão já que alguns vírus
podem sobreviver por 2 horas ou mais, em superfícies como maçanetas
de portas, mesas e outros objetos. Segundo a OMS não há
registro de transmissão do novo subtipo viral (influenza A H1N1)
por meio da ingestão de carne de porco ou derivados.
Estima-se que o período entre o contato com o vírus e
o adoecimento pode variar de 1 a 7 dias (período de incubação).
Já a transmissibilidade, nos adultos, pode ocorrer de um (1)
dia antes do aparecimento dos sintomas até sete (7) dias após.
Nas crianças a eliminação do vírus com potencial
de infecção pode chegar até 10 dias.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam semelhança
entre a gravidade dos casos de influenza A (H1N1) e da gripe comum ou
sazonal no Brasil. Dos casos registrados no país até o
momento, cerca de 19% apresentaram complicações respiratórias
moderadas ou graves, enquanto no mesmo período as pessoas com
diagnóstico de gripe sazonal, em 18,5% dos casos, evoluíram
com esse quadro, compatível com a síndrome respiratória
aguda grave (SRAG).
Cerca de 10,3% dos pacientes acometidos com a síndrome respiratória
aguda grave evoluíram para óbito.
No Brasil, podemos afirmar então, que adoecer pela gripe comum
ou pelo novo subtipo viral é muito semelhante do ponto de vista
da gravidade, entretanto não existem estudos que apontem como
o vírus vai se comportar daqui para frente.
A faixa etária mais acometida está entre os 20 a 49 anos,
com mais de 60% dos casos, semelhante ao que ocorre na gripe comum.
O tratamento, atualmente, está indicado apenas para os casos
suspeitos ou confirmados de influenza A (H1N1) de pacientes com síndrome
respiratória aguda grave, que se caracteriza por febre superior
a 38º, tosse e dispnéia (falta de ar) ou para as pessoas
que apresentem fatores de risco para as suas complicações.
Constitui-se da administração de um antiviral, o fosfato
de oseltamivir, até no máximo 48 horas após o início
dos sintomas. Os demais pacientes terão os sintomas tratados
de acordo com a indicação médica. O objetivo é
evitar o uso desnecessário do antiviral e uma possível
resistência ao medicamento.
O exame laboratorial para confirmação da influenza A (H1N1)
somente está indicado para acompanhar os casos de doença
respiratória aguda grave e em amostras de casos de surtos de
síndrome gripal em comunidades fechadas, como os asilos.
No momento, uma vacina está sendo testada em voluntários
na Austrália e espera-se que haja vacina para uso na população
a partir de setembro. Segundo a OMS existem no mundo em torno de 20
fabricantes autorizados a produzir a vacina da gripe sazonal, que estariam
um passo à frente na fabricação de vacinas para
a gripe suína. O Instituto Butantan, em São Paulo, é
hoje o único local na América Latina onde se fabrica a
vacina da gripe sazonal. Com a inauguração, até
novembro, de uma nova fábrica com capacidade de produção
de 1 milhão de doses, a instituição poderia destinar
parte de sua capacidade para atender à demanda por imunização
contra o vírus.
As medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas
para reduzir o risco de adquirir ou transmitir doenças agudas
de transmissão respiratória, incluindo o novo vírus
influenza A (H1N1) são:
• higienizar as mãos com água e sabonete antes das
refeições, antes de tocar os olhos, boca e nariz e após
tossir, espirrar ou usar o banheiro;
• evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com
superfícies;
• proteger com lenços (preferencialmente descartáveis)
a boca e nariz ao tossir ou espirrar, para evitar disseminação
de aerossóis;
• indivíduos com síndrome gripal devem evitar entrar
em contato com outras pessoas suscetíveis;
• indivíduos com síndrome gripal devem evitar aglomerações
e ambientes fechados;
• manter os ambientes ventilados;
• indivíduos que sejam casos suspeitos ou confirmados devem
ficar em repouso, utilizar alimentação balanceada e aumentar
a ingestão de líquidos.
Importante: Recomenda-se que o indivíduo doente com síndrome
gripal, se possível, permaneça em domicilio durante os
sete dias após o início dos sintomas.
Considerando que, na grande maioria dos casos, esta nova gripe apresenta
manifestação clínica com sintomas leves, de forma
semelhante ao que ocorre com a gripe sazonal, não há motivo
para que entremos em pânico. Mas, faz-se necessário que
sigamos as medidas de prevenção e, especialmente que nos
recordemos das orientações de André Luís
que nos diz “sustentar a fé e a confiança, sem temor,
queixa ou revolta, sempre que as enfermidades conhecidas ou inesperadas
visitem nosso corpo ou assediem nosso lar”.
É primordial desfazer-se das idéias de temor ante as moléstias
contagiantes usando a disciplina mental e os recursos da prece, pois
a força poderosa do pensamento tanto elabora quanto extingue
muitos distúrbios orgânicos e psíquicos, nos ensina
André Luís.
Márcia Regina Colasante
Salgado.
Pneumologista
Clínica Geral
Médica do Trabalho
Referências bibliográficas
1. Centro de Vigilância
Epidemiológica “Prof.Alexandre Vranjac”
http://www.cve.saude.sp.gov.br/
2. Ministério da Saúde
http://portal.saude.gov.br/
3. Organização Mundial
da Saúde (OMS)
http://www.who.int/en/