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Mimetisando
Constância
Entre os animais, o mimetismo tem a finalidade de ocultar sua presença
aos predadores, porque a mudança de cor e configuração,
os confunde com o meio em que vivem e cria uma ilusão de ótica.
Os humanos também usam desse recurso, consciente ou inconscientemente,
e para atingir várias finalidades. O mais notório exemplo
é o dos soldados que usam roupas que os mimetizam com árvores
ou rochas, “sumindo” da visão dos inimigos.
No teatro negro ou teatro de Praga, os atores vestem-se totalmente de
negro e o palco é todo forrado da mesma cor. Desse modo os atores
se movimentam, manipulam os objetos de cena, e não são vistos
pelo público, num mimetismo tão espetacular quanto o das
borboletas e do camaleão.
Ampliando um pouco o conceito, observa-se que alguns filhos adotivos vão
se tornando tão parecidos com os pais ou irmãos, que fica
oculta sua situação familiar, para quem não a conheça.
Nesse caso, a razão do mimetismo é a gratidão, o
medo de perder a família atual, e o amor que desenvolveu nesse
lar.
Adolescentes costumam se identificar entre si e com seus ídolos.
Usam as mesmas roupas e adornos e cortam os cabelos de forma igual ao
artista ou esportista que idolatram. Nesse caso, o mimetismo visa o assemelhamento,
para sentirem-se valorizados e membros de um grupo de afins.
Um outro tipo de mimetização é a psicológica,
quando nos identificamos com pessoas que nos são significativas,
e vamos copiando sua conduta, idéias e peculiaridades. Nesse caso,
não queremos nos ocultar, como os guerreiros, mas acabamos ocultando
nossa personalidade e assumindo a de quem elegemos como líder,
ideal e, porque não dizer, senhor(a) de nossa vida.
Uma identificação desse tipo, não nasce do reconhecimento
grato, como nos filhos adotados, mas de uma paixão ou sentimento
exacerbado. Pode também vir da inveja e da projeção
de ideais, que vê no outro, na ilusão de que sendo igual
será feliz.
Alem da desilusão que trará, essa identificação
com outra pessoa, sobretudo se for próxima ou amada, determina
que se copie suas idéias e características, o que pode trazer
algum aprendizado, mas acima de tudo, trás dificuldades futuras,
na medida em que deixamos de ser nós mesmos, para “ser”
igual ao outro. É que esse desencontro consigo, provoca desarmonia
espiritual e física, cria insatisfações e obstrui
o autoconhecimento.
Os procedimentos miméticos psicológicos, esbarram com a
informação espírita de que somos indivíduos,
individualizados desde a origem, cuja história espiritual pode
ser semelhante, mas jamais será idêntica.
E aí está a grande beleza da vida, na qual cada um tem suas
características, totalmente próprias, todos compondo um
harmonioso jardim multicolorido.
Querer ser igual a outro é desvalorizar-se e portanto, desvalorizar
a obra de Deus.
Cristina Helena
Sarraf
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