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Três
níveis éticos, na evolução humana
Estevão Sanches
Seja do ponto de vista religioso, político ou social, passamos por
três níveis éticos, que são fases evolutivas.
Na primeira, ou nível da espiritualidade infantil, nossa postura
é a de cumprir mandamentos, regras e normas, cega e fielmente. Consideramos
um absurdo que alguém não tenha essa conduta; condenamos os
que rompam com as leis que elegemos como verdades divinas e menosprezamos
os que não as adotam.
Na segunda, ou nível da espiritualidade adolescente, nossa necessidade
é de pertencer a grupos que tenham filosofia e códigos compatíveis
com nossa consciência, os quais seguimos ardorosamente, defendendo-os
como verdades absolutas. Consideramos indignas ou marginalizadas, as pessoas
que ficam fora desse esquema. Quando já amadurecemos um pouco, até
chegamos a admitir que alguns grupos de afinidade, diferentes dos nossos,
possam ser bons.
Na terceira, ou nível da maturidade espiritual
humana, pegamos as rédeas da nossa vida e somos capazes de ser livres
para tomar decisões, que não cabem nos níveis anteriores.
Rompemos com sistemas, superamos regras, amplia-se a consciência para
um viver em plenitude.
Os dois primeiros níveis não são ruins. Correspondem
apenas às condições intelecto-morais das pessoas. Não
há como forçar a passagem de um para outro, porque ninguém
nos coloca neles. Estaremos automaticamente nos comportando dessa ou daquela
maneira, e considerando que é a única forma certa de pensar
e viver; porque é isso que corresponde à consciência
que temos da vida e de nós mesmos.
Como a evolução é parcial e gradativa, há quem
esteja entre o primeiro e o segundo ou entre o segundo e o terceiro níveis.
Mas uma coisa é certa, chegando no terceiro, começamos a assumir
a nossa vida e isso escandaliza quem está nos dois primeiros.
Cristina Helena Sarraf
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