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Vire
a Página
Cristina Helena Sarraf
A idéia de se pensar
no ato de virar uma página de livro ou jornal, é bastante
forte porque não é mais possível ver o que ficou
na página virada.
Começamos a usar, essa expressão figuradamente, há
muito tempo, pela necessidade de ajudar as pessoas a se desligarem das
coisas do dia-a-dia, voltarem-se para si mesmas, acalmando-se e abrindo
espaço mental para a sintonia com seu anjo de guarda, a fim de
poderem estudar ou fazer uma prece.
Se veio na sua cabeça uma lembrança desagradável
ou que o tira de seus propósitos, algo fora do que você quer
no momento, faça esse gesto mental de virar a página, quantas
vezes for preciso, com calma, sem dar importância a essas “intromissões”.
Elas são fruto de nos largarmos de qualquer jeito, sem cultivar
o auto-domínio, mas podem também ser sugestões de
Espíritos que não querem que mudemos de hábitos,
porque se nutrem de nossas energias desequilibradas.
A Vida não tem nada de estática, mas ainda guardamos um
entendimento equivocado de que as coisas são como são. Por
isso, muitas pessoas se entregam ao que lhes vem à mente e jamais
questionam o porquê de estarem pensando de tal maneira, o porquê
de determinados pensamentos a “perseguirem”, o porquê
das cenas mentais que surgem, sobretudo quando se propõem a fazer
prece, estudar e participar de um curso espírita.
Mas “virando a página” cada vez que essas coisas ocorrem,
vamos exercitar a posse de nós mesmos e a capacidade de escolher,
e de repelir o que não queremos.
Ficar preocupado com a dispersão e essa intromissão de assuntos,
atormentar-se, forçar-se a sair disso, não resolve a situação,
ao contrário, ela se fixa cada vez mais. Porque tudo a que damos
importância, cresce e domina. Quanto mais nos espancamos, mais ficamos
presos no mesmo lugar.
A atitude adequada é fazer de conta que não percebeu o pensamento
intrometido e nem a cena desviadora de objetivos, e “virar a página”,
como quem não quer nada! Como se fosse um livro que você
está lendo ou vendo figuras e vai mudando de páginas sem
por muita atenção. Isso tira a importância do hábito
e vai desfazendo-o.
Mas é preciso persistência e amor por si. Você tem
idéia de quanto tempo faz que deixou as coisas ficarem como estão?
Então é preciso paciência e grande auto-consideração.
Ou seja, agir com você como agiria com uma pessoa muito querida
que precisasse de sua ajuda, para sair dessa situação.
O exercício de “virar a página” funciona muito
bem, também, quando estamos nos ligando muito com as coisas negativas
da vida, a nossa e a dos outros.
A questão é de enfoque. As coisas que acontecem podem ser
vistas por vários ângulos e sob variadas óticas. Cada
pessoa tem suas características de temperamento e personalidade
e encara tal coisa de tal jeito. É comum familiares que participaram
de uma situação conjunta, terem dela visões e impressões
completamente diferentes. Se não expressarem o que sentem, podem
até se inimizar, por julgarem que o outro deveria ou não
deveria...., num absoluto desconhecimento do que se passa no coração
e na cabeça dessa outra pessoa.
Vamos pensar que a situação não muda, até
porque já aconteceu. Mas nós podemos olhá-la como
negativa e deplorá-la ou ver o que tem de positivo e aproveitar
a oportunidade de aprendizado.
Se você está imerso na negatividade, “vire a página”
e veja o lado positivo do que está acontecendo. Quem sabe, você
acorda dessa hipnose e começa a tomar conta de si!
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