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Elaboração e mecanização dos pensamentos e
atos
Cristina Sarraf
Os estudos da neurociência
vem revelando o funcionamento cerebral, causa, para os materialistas,
de tudo que somos e fazemos. Mas os espíritas sabem que no processo
evolutivo, fomos desenvolvendo muitas capacitações que se
manifestam materialmente, quando encarnados, como funções
cerebrais, embora sejam espirituais.
Um bom exemplo é o fato de que quando repetimos várias vezes
um pensamento, raciocínio, ou ato, isso é mecanizado, sendo
eliminadas as etapas e fixado o resultado; é a memorização
e o condicionamento, que otimizam as funções cerebrais,
liberando “espaço” funcional e diminuindo o gasto de
energias. O cérebro não é o responsável por
isso, na medida em que é um instrumento do que o Espírito
já sabe fazer. O corpo reflete o Espírito.
A óbvia facilitação desse mecanismo, pode ser conferida
pelo aprendizado da tabuada. Repetimos e repetimos, fazemos contas, usamos
os dedos e depois memorizamos os resultados, que ficam fluentes toda vez
que se precisa saber quanto é tanto vezes tanto ou dividido, etc
Economia de tempo e de energias e eficiência são o fruto
dessa capacidade espiritual de memorizar, mecanizando pensamentos, raciocínios
e atos; é o que acontece com musicistas, cujos dedos “vão
sozinhos” ou motoristas, que mudam marchas sem pensar no que é
feito.
A mecanização leva á rotina, que tem lá suas
vantagens, mas que pode tirar o gosto de viver. Pessoas idosas, por exemplo,
que se acomodam onde estão e como são, perdem todo interesse
pela vida, porque não mais experimentam aquela sensação
de estar vivo que ocorre quando se aprende algo novo ou se vai a um lugar
diferente. Esse sem-sabor, sem-cor, sem-graça... pode estar se
instalando até nos mais jovens, que caiam nas armadilhas da mecanização
e do condicionamento de tudo, esquecendo que pensar requer elaboração
e uso dos recursos mentais, viver pede mudanças, crescimento precisa
de contrastes, diferenças e novidades.
Observar-se é o início da possibilidade de discernir se
está havendo equilíbrio e oportunidade entre os processos
de mecanização e elaboração/criação.
O primeiro nos mantem no que somos e o segundo nos alça para alem
disso. Precisamos dos dois, cada um na sua hora e objetivo. Os dois processos
são nossos; capacitações desenvolvidas pelo Espírito
que somos, face á muitas vivências pelas quais passamos.
A questão, agora, é como usá-las aprimoradamente.
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