O QUE FALTA PARA O BRASIL? (I)

O Brasil, por suas raízes histórias, sempre foi um país agrário, o que
é uma benção. Mas também foi vítima do extrativismo predatório. Nossos
colonizadores tiraram tudo que puderam, mas não souberam aproveitar
dessa riqueza, por má gestão e falta de visão estratégica. Essa
cultura infelizmente ainda está presente em alguns quadros políticos
brasileiros. A gestão do país ainda é disputada ferrenhamente por
grupos que competem entre si, não necessariamente para o bem de todos
e felicidade geral da nação. A gente vota pela saída dos corruptos e
incompetentes - alguns até deveriam ser presos ou banidos -, mas
sempre há uma nomeação ou indicação política, que diz ao povo que eles
ficam na vida pública.

Mas houve hiatos históricos que mostraram que o Brasil dos currais
eleitorais poderia ser mais que celeiro do mundo: Mauá provou que
havia lugar para a indústria.
Getúlio Vargas seguiu à risca a idéia de que crise e oportunidade
caminham juntas: apesar de ditador, negociou a participação brasileira
na Segunda Guerra Mundial em troca da implantação da indústria
siderúrgica no Brasil, base para o desenvolvimento industrial. Talvez
por ser tão bom em azeitar as coisas também criou a Petrobras.
Tendo aço e combustível, Juscelino deu o próximo passo, ou melhor,
como tinha a pressa dos cinquenta anos em cinco, preferiu consolidar a
indústria automobilística no Brasil a 100 km/h, que as crises de
petróleo, a partir de 1973, limitaram em 80 km/h, até o Brasil
praticamente parar, a partir de 1980.

Os governos militares investiram no Milagre Brasileiro, que teve prós
e contras. A melhoria da infraestrutura viária e energética foi
marcante. Já a Transamazônica e a Nuclebras foram fiascos faraônicos,
apesar de permeadas por intenções estratégicas: integração e
preocupação com as usinas termonucleares dos hermanos.

A criação da Embraer foi um dos pontos altos desse período, mas a
reserva de mercado de Informática e a proibição de importação de
carros nos deixaram anos-luz atrás no desenvolvimento tecnológico
internacional. Pagamos muito caro por isso: no produto de baixa
qualidade e pelo sucateamento da indústria nacional. Afinal, se só
tinha aquilo para comprar, porque investir em modernização do parque
produtivo? Na cabeça dos empresários de então, a reserva de mercado
extinguiu a lei da oferta e da procura: se ninguém comprava, em vez de
baixarem os preços, demitiam funcionários, reduziam a produção e
aumentavam ainda mais o preço. Os carros enferrujavam e trepidavam em
poucos meses. Para serem exportados era necessário modificar centenas
de itens!

Para piorar, como quase todas as grandes empresas eram estatais, o
ranço cultural brasileiro as transformou em imensos cabides de
emprego, com contratações sem concurso público, mérito ou competência,
para cargos regiamente remunerados.
No mais, crises de petróleo, radicalismos de direita e esquerda,
financiados pelos dois lados da Guerra Fria, e uma monumental dívida
externa transformaram o milagre em anos de inflação galopante e
recessão causticante.

O Brasil já não era mais o país do futuro.
O que faltava para o Brasil?

Adilson Luiz Gonçalves

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