O QUE FALTA PARA O BRASIL? (II)

Aí, os mesmos que incharam as empresas estatais resolveram que tudo
precisava ser privatizado! Inicialmente, isso foi um ótimo negócio?
para as empresas privadas!
A maioria dos leilões foi vencida por grupos internacionais, que
tiveram suporte financeiro estatal e os contratos davam-lhes mais
garantias do que obrigações. Entramos no churrasco da globalização com
a carne!

Lembram do apagão? Ecomizamos energia a pedido do governo, sob pena de
multa, para, depois, pagarmos mais, para compensar a redução do lucro
das concessionárias.
Um pouco antes, a gente acreditou quando um jovem resolveu caçar marajás.
Comparando com outros, até que ele não foi tão ruim assim, ainda mais
pelo pouco tempo que ficou. Sua principal obra talvez tenha sido a
liberação de importação de veículos. Mas, as velhas carroças ainda
circulam por aí, soltando tanta fumaça que a inspeção veicular não
consegue enxergá-las, preferindo taxar os veículos novos.

Hoje, a produção nacional atingiu níveis de qualidade mundiais,
enfrentando e suplantando cada nova ISO que os países ricos inventam
para prejudicar os emergentes, nessa globalização de mão única em que
ainda vivemos.
Mas estamos em tempos de liberdade de imprensa, típica de regimes
democráticos, apesar de algumas tentativas de amordaçamento aqui e ali.

Graças a ela, os escândalos se multiplicam!
Isso quer dizer que a democracia é corrupta? Não! Ela é como a água:
só traz à tona o que a corrupção tenta esconder.
Aí, criam miríades de leis que deveriam punir, mas já trazem em seu
bojo os meandros que favorecem a impunidade. Há lei para tudo! Mas,
nem sempre há justiça.

Então, veio o Plano Real, que deu certo, depois de um monte de
fracassos e inconsequências, cujos responsáveis ainda circulam por aí,
formosos e influentes.
Os governos que se seguiram tiveram o bom senso de não mexer em time
que está ganhando e o Brasil alcançou relativa prosperidade. Começamos
a investir em produção científico-acadêmica; voltamos a investir em
infraestrutura; o agronegócio floresce e dá frutos; o etanol,
revisitado, virou solução energética mundial.

Por conta disso, passamos a ter significativos e progressivos
superávits na balança comercial. Até alcançarmos o, antes,
inimaginável: reservas monetárias superiores a divida externa, risco
país baixo, inflação sob controle!

Ficamos menos susceptíveis, embora nunca imunes, às crises internacionais.
Vamos entrar para a OPEP! Pleiteamos uma vaga permanente no Conselho
de Segurança da ONU! Viramos credores do FMI e exemplos de gestão
financeira até para os países do G8!
Então, o que falta para o país deslanchar? Seria o tijolinho do BRIC?

Adilson Luiz Gonçalves

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E-mail  - monica@monicadelimaazevedo.psc.br

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