Dá
até a impressão que não sou eu!
Cristina Sarraf
Por desconhecimento da naturalidade
das influencias espirituais e suas causas, (bem como da mediunidade
e sua razão de ser), muita gente assume pensamentos, reações,
emoções e condutas que não são seus. São
de Espíritos que entram em seu campo mental, por algum tipo de
afinidade, e não sendo rejeitados, passam a ser “fregueses”;
ficam ligados, ou seja, é criado um vínculo fluídico,
espécie de ponte que os une, como se fosse um botão, que
acionado estabelece imediatamente a conexão.
No geral, acabam de acostumando, um com o outro, na medida em que o
encarnado não perceba nada e viva com as características
do outro, como sendo suas.
Essa simbiose dá a esses Espíritos, alimento energético/fluidos
que não sabem obter da Natureza, acabando por tornarem-se “vampiros”
desfigurados pela postura moral e pelo acúmulo das energias emocionais
absorvidas dos encarnados, as quais estagnam no seu corpo perispiritual.
Postura viciosa, jamais saciada, escravizando aquele que pensa dominar
a situação.
Por afinidades, por vingança, por necessidade, por casualidade,
por estarem obrigados a tal, Espíritos acoplam-se aos encarnados
e aí ficam, até sabe lá quando...
Se a interinfluência e também o intercâmbio mediúnico
fazem parte das leis da Vida, ignorá-los tem a ver com o estágio
evolutivo, as idéias, conceitos e preconceitos de cada um.
Seja como for, a sensibilidade e a percepção humanas podem
mostrar, com um pouco de auto-observação, que a pessoa
fala, faz, pensa e sente coisas que não fazem parte de sua forma
de ser.
Sobretudo quando de repente o humor muda, a irritação
domina, uma raiva cresce, a necessidade compulsória de algo vence
as barreiras pessoais... E vem acompanhados de pressa, pressão
interior, mal estar, dor e urgência em agir, provocando a quebra
das resistências.
Esse é o mais claro sinal de que uma vontade alheia a si está
instalada sobre a sua!
Não detectando o que acontece, medicações passam
a fazer parte dos dias, visitas mais assíduas ao médico,
terapias, soníferos para conseguir descansar...Eles podem disfarçartemporariamente,
a causa e cortar os efeitos, mas não solucionam. Remedeiam!
A qualidade de vida cai porque a mente se torna cansada e perturbada,
super ocupada pela incidência maior das energias e características
alheias e pelo esforço da pessoa em ficar normal, em superar
e disfarçar sensações, vontades e pensamentos que
a descaracterizam e chamam atenção daqueles com quem convive.
A memória falha, as relações estremecem, o medo
do fracasso pode chegar, acompanhando um stress sem causa e sem cura,
com queda da eficiência e da saúde.
Se parece um quadro pintado com cores muito fortes e formando um conjunto
desagradável, na realidade é isso mesmo.
E não é apenas um sinal de alerta, mas sim, o que ocorre
em graus maiores ou menores, com um grande contingente da população.
Só percebe o que se passa quem tem olhos de ver...
No entanto, como ninguém está a deriva ou a mercê
dos demais, a não ser que se deixe estar, sempre há sinais,
alertas, sensações e observações alheias,
indicando que algo não vai bem e despertando a necessidade de
examinar o que se passa.
E como hoje a TV, o cinema, os jornais falam muito da mediunidade, das
curas espirituais a que se entregam pessoas famosas, dos vampiros da
moda, de filmes sobre Espíritos, dos xamâs... ninguém
pode alegar total desconhecimento de que há mais coisas entre
o céu e a terra do que possa sonhar nossa vã filosofia,
como há séculos disse Shakespeare.
“De repente vem uma dor, sinto grande raiva e quero bater nas
pessoas... preciso me segurar para não ofender....preciso comer
muito doce, mas já almocei...tenho um sono insuportável,
mas dormi bem,...só penso em sexo e não sou assim... sinto
exagerada necessidade de...”
A pessoa reconhece que não é desse jeito, mas fica assim.
E se não tomar providências funcionais, aplicadas com vontade
firme e dedicação a si mesma, acabará incorporando
essas condutas como suas e terá na fisiologia e na psicologia,
as conseqüências dos hábitos que adota.
O que sentimos e pensamos caracteriza nossa qualidade energética
e produz “químicas” correspondentes, no interior
das células.
O que fazer?
O Espiritismo tem todas as respostas e boas orientações
para quem o busque, basicamente na obras de Kardec.
Os espiritualistas também têm caminhos bons e esclarecimento
adequado.
Afinal, esse é um assunto que diz respeito a toda humanidade,
sem exceção, e o que importa é que haja consciência,
postura positiva e corajosa, fortalecendo sua crença em si e
na proteção que possui, porque as influências espirituais
fazem parte da Vida, tanto quanto a possibilidade de reconhecê-las
e impedir que nos prejudiquem.
Ninguém é vítima!
A decisão de cada um quanto ao que pensa, fala e faz é
de sua inteira e total responsabilidade, por mais que haja influências
e sugestões.
E é desse “embate” natural que se afirma a nossa
personalidade.
Dos enganos e acertos nasce o discernimento e a vontade de ser feliz.
As dores derivadas da nossa teimosia e também da ignorância,
cansam e dão vez ao sincero empenho em descobrir porque existem
e como curá-las.
E assim vamos nós... passo a passo, tropeçando e nos firmando,
rumo ao cultivo de pensamentos e condutas que nos tragam bem estar e
alegrias.
Com isso, também influenciamos positivamente encarnados e desencarnados
que conosco convivem, colaborando com o Bem geral e com o crescimento
espiritual daqueles que queiram aceitar novas e boas idéias.