Alcoolismo

Fatos e Verdades

“ . . . a droga álcool, sem dúvida alguma, é a porta de entrada para as demais drogas. ”


Paulo de Britto Pereira
Consultor em Dependência Química
paulo.bp@litoral.com.br


Normalmente não se pensa em álcool como uma droga, pois
quando falamos em droga pensamos logo em maconha,
cocaína, crack, ecstasy e tantas outras, uma vez que drogas estão fora das leis.
O álcool é lícito, perfeitamente dentro das leis e vendido em
todas as esquinas, assim como produtos inalantes para fins específicos que são utilizados como substâncias psicoativas.

Além de tudo, bebidas fazem lembrar cenas de coquetéis,futebol, comemorações e momentos felizes.
Evidentemente, contando com a ajuda da mídia e de todo o seu poder de persuasão.
Na maioria dos países ocidentais, beber é mais regra que exceção. Nesses países, 70% da população ingere alguma forma de bebida alcoólica, pelo menos ocasionalmente.

Droga é toda substância que dá “barato” e provoca mudanças de humor, alterações na percepção e na lógica do pensamento.
O álcool é, sem dúvida alguma, a pior delas e o seu largo consumo é fortemente favorecido pelo fato de ser uma droga lícita.

Instituições e parcela expressiva da sociedade não escapam
da ignorância sobre o álcool e a doença que ele produz.
A ênfase está toda voltada com exclusividade para a maconha e a cocaína, relegando o álcool a plano inferior.
Acham que a maconha é a droga indutora às drogas mais pesadas.


Quando todos os estudos sérios mostram que o álcool é o agente de pelo menos 80% da totalidade dos casos de dependência química pura (só álcool) e está presente em mais de 90% dos casos de dependência cruzada (álcool + outras drogas).

Estudos divulgados nos mostram que o uso das outras drogas vem precedido do consumo do álcool, na maioria dos casos analisados.Pesquisas com dependentes indicam que sem a ingestão preliminar do álcool as demais drogas não teriam o mesmo efeito. Beber primeiro se torna necessário e fundamental para o consumo das demais.
Inúmeros usuários conseguiram reverter a dependência química das drogas eliminando a ingestão da principal, fazendo com que o consumo posterior das demais fosse neutralizado ou pelo menos minimizado.

O álcool é, sem sombra de dúvida, a droga de porta de entrada para as outras drogas. Por essa razão, nesse trabalho a abrangência e o foco de análise está mais direcionado ao álcool. Merece estar no banco dos réus.

A doença do alcoolismo se desenvolve mais comumente no sexo masculino, embora se encontre em crescimento vertiginoso entre as mulheres.
Nos anos oitenta, a proporção era de uma mulher para vinte homens alcoólatras, estando hoje na dimensão de uma mulher para cada seis homens.
Na Inglaterra a relação atualmente é de uma por um.

O alcoolismo é uma doença altamente democrática, pois se manifesta da mesma forma em ricos e pobres, brancos e negros,católicos e ateus, filósofos e analfabetos e por aí em diante.
Aliás, a única diferença entre o rico e o pobre é que um cai no carpete e o outro na sarjeta.

As desigualdades sociais dão a impressão de que a doença atinge mais a classe pobre e isso é uma falsa impressão.
O que ocorre é que no Brasil existem muito mais pobres do que ricos ou da classe média, levando a crer que os pobres são mais suscetíveis à doença.
Além disso, os ricos têm possibilidades muito maiores de buscar amparo em clínicas de desintoxicação, possuindo assim uma proteção maior em relação ao alcoolismo.
Suas sucessivas desintoxicações mascaram a gravidade da dependência e as ações de parentes, amigos, funcionários e alguns profissionais da saúde encobrem a doença.

A relação é a mesma, 12% a 15% daqueles que mantém contato com o álcool.
Logo será explicado o que representam esses percentuais.

Se a formação do contingente de mendigos, moradores de rua e andarilhos recebesse um apoio global para que fosse tirado das ruas, esse percentual não se alteraria.
Aqueles que estavam bebendo para esconder a fome e o frio deixariam de beber naturalmente e os demais continuariam bebendo devido à constituição orgânica.

Mas, o estigma na classe pobre perdura.
O pobre que bebe demais é “pau d’água, pinguço, safado”
e outros tantos adjetivos, enquanto que o rico é intitulado como “bon vivant, boêmio e excêntrico”.
Quando nós falamos em ladrões, não costumamos pensar em cavalheiros da classe alta, barbeados e perfumados.
O pobre não possui o monopólio sobre o crime e sobre o álcool. Como foi dito, se fossem eliminadas as condições que mantém certas pessoas na classe pobre, o único fato novo seria que os atuais alcoólatras pobres passariam a ser alcoólatras da classe média ou rica.

Problemas sócio-econômicos e psicológicos podem ser motivos para beber e, portanto, afetar a velocidade com que as pessoas desenvolvem o alcoolismo.
O que não se pode dizer é que esses fatores causem o alcoolismo e a sua dependência.

Uma pergunta comum é se alcoólatra é quem bebe muito, e a resposta é “nem sempre”. O alcoólatra se identifica mais pela maneira de beber do que pelo volume ingerido.
Ninguém se torna alcoólatra de tanto beber. Na verdade, a pessoa bebe demais e sem controle porque é alcoólatra, ou seja, traz no organismo a predisposição física e mental que o impede de beber com moderação.

Todos conhecem pessoas que bebem diariamente.
Através dos anos, se dão ao direito de dois aperitivos por dia ou daquela cachacinha antes do almoço, e nunca serão alcoólatras.
Um alcoólatra jamais será capaz de manter dois aperitivos por dia. Simplesmente impossível.
O fenômeno que faz o alcoólatra geralmente beber mais do que o não-alcoólatra se chama tolerância.
O não-alcoólatra pode tomar um porre e causar todos os problemas inerentes à embriaguez, contudo, no dia seguinte, ele não deixa de cumprir com todas as suas obrigações e muitas vezes só volta a beber dias depois, sem ter sentido nenhuma falta do álcool e não se deixando dominar.
O alcoólatra na sua grande maioria bebe todos os dias e bebe pesado.

Existem aqueles bebedores de fim de semana, que podem ou não ser alcoólatras.
Nesses casos é preciso se estar atento para os sintomas.
Se, por exemplo, houver demasiada expectativa pela chegada do fim de semana, isso pode denotar uma das características do alcoolismo. Muitas vezes quando não se consegue esperar pelo sábado, já começando a beber na sexta ou na quinta-feira, pode ser outro sintoma revelador.

Beber socialmente é para quem pode e não para quem quer.
Aliás, o sonho de todo alcoólatra é um dia poder beber socialmente. Nunca conseguirá !

Segundo estudos realizados, no homem a doença atinge o seu estágio de maior gravidade após vinte ou vinte e cinco anos de uso do álcool. Considerando-se, nesse contexto, o uso gradativo e crescente da bebida ao longo desse tempo.
Na mulher, em torno de cinco a dez anos contínuos.
Tudo indica que a diferença está na maior quantidade de células gordurosas encontradas no organismo feminino.

O tecido gorduroso existente é pouco provido de circulação e isso retarda a eliminação do álcool do seu interior.

Ninguém pode negar que o maior aliado dessa doença é o desconhecimento.
É o desconhecimento que permite à maioria dos alcoólatras chegar aos estágios avançados da doença.
É o desconhecimento que faz o alcoólatra negar para si e para os outros o que todos podem ver - a sua dependência da bebida.
E todo esse desconhecimento é que faz com que aqueles que cercam o alcoólatra facilitem a progressão da doença, levando-o muitas vezes até a morte.
Nada nega o fato de que a vasta maioria dos que atualmente morrem de alcoolismo é vitimada principalmente pela ignorância.

Os que estão gastando todas as suas energias para fazer o alcoólatra parar de beber, estão fazendo de forma errada.
Devem redirecionar seus esforços não para que ele deixe de beber, e sim, para que ele queira deixar de beber
E, com isso, adquirir uma nova qualidade de vida.

Contrariamente à opinião popular, os alcoólatras não bebem porque têm problemas. Eles têm problemas porque bebem. Assim, deixam de resolver os problemas normais da vida e ainda geram outros - porque bebem.

Os motivos para beber são inúmeros e os mais variados possíveis, desde o cachorro do vizinho que ameaçou atacar, a sogra que o incomoda, o chefe que o trata mal e não o promove, o amigo que morreu e não restou outra alternativa senão encher a cara na lanchonete do velório e tantos mais.
O pior de tudo, sua manipulação e poder de persuasão leva todos à sua volta a acreditarem nos seus verdadeiros e compreensivos motivos para beber e relaxar. Principalmente seus familiares, co-dependentes e facilitadores.

Para manter uma porta aberta à recuperação, qualquer pessoa que ame um alcoólatra deve fazer tudo para deixá-lo sofrer todos os problemas e conseqüências adversos do seu beber, menos as físicas, antes que estas o coloquem além da recuperação.

É preciso que ele reflita e caia em si diante da perda da mulher e dos filhos que foram embora, após mais uma sessão de espancamentos.É preciso que ele reflita sobre as despesas que terá para comprar os eletrodomésticos que arrebentou. É preciso que ele reflita sobre o emprego que perdeu. Enfim, tudo o que o seu alcoolismo ocasionou.

Enquanto os facilitadores estiverem em ação, pagando suas contas no bar, ligando para o emprego dizendo que ele está gripado e não pode trabalhar, consertando todos os bens destruídos na casa e passando a mão em sua cabeça, o problema não se resolve. E o que é pior, estarão simplesmente conduzindo-o à morte e não ajudando a superar a sua dependência.

O alcoolismo é gerador de 40% dos acidentes de trabalho, reduzindo em também 40% a produtividade empresarial.
O índice de absenteísmo nas empresas é enorme, sendo que se deve a ele quase metade das consultas clínicas.
É causa freqüente de invalidez precoce e de 45% das internações clínico-psiquiátricas.
Os suicídios entre alcoólatras é 57% maior do que na população em geral e os acidentes de trânsito, pasmem, 75% têm relação direta com a embriaguez.

Segundo a Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas), o alcoolismo desperdiça ao ano recursos equivalentes ao orçamento inteiro da previdência social e cifras muito maiores que o montante apurado pelo total das importações brasileiras.
A produção e comercialização de bebidas alcoólicas no país atinge 2,4% do PIB, sendo que os custos diretos e indiretos causados pelo estrago do álcool alcançam 5,5% do PIB.

A família que possui contato íntimo com o alcoólatra, utiliza três vezes mais assistência médica e hospitalar do que as famílias em geral, são os co-dependentes.

Como a aids, o álcool pode matar indiretamente.
Ao ingressar no organismo, o vírus da aids danifica o sistema imunológico, fazendo com que as células de defesa do organismo funcionem mal, levando os portadores a contrair infecções das mais diversas.

No alcoolismo, por também ser uma doença primária, a bebida é o agente que desencadeia uma série de distúrbios físicos e mentais, principalmente ligados à desnutrição típica da doença.
A pessoa tende a se alimentar menos e mal, deixando um campo aberto para o álcool que possui muitas calorias, porém calorias pobres e isentas de proteínas e vitaminas.

Agora, vamos deixar de lado as amenidades e analisar o problema com maior profundidade.

A população no Brasil pode ser estimada hoje em torno de 180 milhões de pessoas.
Dessa massa humana, 70% ou 126 milhões possuem algum contato com o álcool, porque bebem socialmente ou pesado.
Desses 70% ou 126 milhões, 12% a 15% são portadores da doença do alcoolismo, registram a predisposição orgânica.
Estamos falando algo em torno de 17 milhões de pessoas.
São pessoas que, sem fazer a mínima idéia da sua doença, nasceram com essa disfunção.

É preciso ficar claro que é uma doença que pode permanecer adormecida por uma vida inteira, sem que jamais venha a incomodar seu dono, a não ser que seja
provocada.

É necessário que se comece a beber para que a doença se ponha em andamento.
O seu caminhar é lento no início. Mas, sendo atiçada, ela automaticamente deixa de estar adormecida.

Enfatizando-se a sua não associação a outras drogas, fator que potencializaria todo esse processo.

Os estudos revelam que, via de regra, o alcoolismo dá seus passos iniciais na adolescência ou na juventude.
Os jovens começam a beber pelas mesmas razões do que todos, curiosidade, sentir o sabor e o efeito, achar-se adulto, solto, bonito, extrovertido e capaz para performances bem mais condizentes com os homens mais velhos.
A importância de se sentir fazendo parte de uma coisa ou movimento, a fantasia de se achar galanteador e atleta do sexo possui um respaldo muito grande no álcool, levando o pré-etilísta a ter descoberto o elixir dos deuses para sua vida.

Com o passar do tempo, a doença manifesta suas primeiras características e evidências.
O jovem não-alcoólatra aprende logo cedo que os benefícios que recebe do álcool, ou a sensação de estar mais relaxado e desinibido, cede lugar rapidamente à tontura, sonolência e náusea.
Se passam desse limite, não gostam do efeito. Como aqueles que tomam um porre e nos dias seguintes não bebem nada.

Ressaltando-se que eles bebem menos não pelo fato de serem mais inteligentes ou com moral mais acentuada. O álcool não os atrai tanto, mesmo que atraísse não seriam capazes de beber além de determinado ponto.

Até meados dos anos setenta, a área de estudos no campo do alcoolismo se concentrava na pesquisa psicosocial.
A partir daí, começou-se a trabalhar os estudos calcados na neurobiologia, que procura explicar porque os alcoólatras se tornam dependentes do álcool e porque os não-alcoólatras não se tornam.
Solidifica-se cada vez mais a ênfase na genética, ou seja, a predisposição orgânica ao alcoolismo.

Dentre as inúmeras pesquisas realizadas, uma se reveste da máxima importância e se concentra nos quinze bilhões de células nobres do nosso cérebro - os neurônios.

Estas células se comunicam entre si, recebendo e enviando mensagens, através dos chamados neurotransmissores.
Esses neurotransmissores são drogas formadas pelo próprio cérebro, como a dopamina, noradrenalina, serotonina, encefalinas e endorfinas.
Endorfina é a contração de duas palavras – endógena que significa interno e morfina. Endorfina é a morfina produzida internamente.

Uma das funções do cérebro é a de manter o equilíbrio emocional. Para este fim, quando qualquer pessoa tem as suas emoções alteradas, o cérebro, automaticamente, produz as endorfinas e encefalinas que levam ao retorno do equilíbrio emocional.
Entretanto, alguns sofrem de uma deficiência dessas drogas.
Alguns cérebros não produzem uma quantidade suficiente de endorfinas e encefalinas.

Um indivíduo com essa deficiência tem mais necessidade de alívio que uma pessoa normal. E quando faz uso do álcool, através dos primeiros contatos, percebe que encontrou um santo remédio, pois o álcool lhe causará a mesma sensação de bem estar proporcionadas pelas encefalinas e endorfinas.

Tudo com um inconveniente, ao substituir as drogas naturais pelo álcool, o cérebro inibe a fabricação delas que já eram insuficientes.
Ao passar o efeito, o bebedor sentirá uma vontade ainda maior de beber, até chegar aos casos mais avançados da dependência química – o alcoolismo.
Quando o alcoólatra resolve querer parar de beber em definitivo, a sua insuficiência dessas drogas permanece.

Para que possa buscar o desejado equilíbrio emocional, é preciso encontrar ajuda de pessoas que conheçam o assunto e estejam preparadas para esse trabalho.
É necessário também a consciência social da comunidade e das empresas em desenvolver atividades nessa área.

Se alguém encontrar cinco amigos bebendo animadamente
num bar e, lá pelas tantas, quatro deles “apagarem” em cima da mesa e apenas um, em plena forma, passar a conversar com o garçom, certamente concluirá que naquela mesa existem quatro alcoólatras e um cidadão responsável e normal.

Quando a realidade é outra, naquela mesa existem quatro bebedores normais que exageraram e um alcoólatra.
Caracteriza-se assim, a tolerância do alcoólatra nos primeiros estágios da doença.

Em muitos dos casos, os alcoólatras não começam a beber para fugir de alguma coisa ou da vida, bebem para sentir mais a vida.
Nos estágios iniciais, o álcool parece aumentar a eficiência mental, permitindo impulsos mais criativos e capazes.

Isto explica porque tantos intelectuais, compositores, pintores e artistas em geral fazem tão bom trabalho sob o efeito do álcool.
E explica-se também porque tantos ganhadores do prêmio nobel de literatura morreram de alcoolismo.

Para o alcoólatra, o álcool é o maior aliviador de stress do mundo, fazendo-o relaxar e divagar.
E essa sensação é realmente honesta, ocorre mesmo.
Só que o círculo vicioso em que o alcoólatra se acha aprisionado se fortifica. Quanto mais ele bebe, tanto maiores serão os seus problemas. E quanto maiores seus problemas mais alívio encontrará na bebida.

Na ocasião em que o alcoólatra alcança o estágio da dependência física, ele já não está mais bebendo porque gosta. Está bebendo porque precisa.
Agora ele bebe porque não beber faz com que se sinta mal.

Quando amanhece tremendo, ele bebe a fim de normalizar sua atividade celular, nunca compreendendo que o normal agora é ter álcool no corpo. Agora ele bebe porque está dependente da droga álcool.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece, desde os anos sessenta, que se trata de uma doença grave e progressiva, que se não for detida a tempo leva à loucura ou à morte prematura.
O alcoolismo é tanto uma doença quanto a diabetes, a aids e outras mais. Por isso é que não é vicio e não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.
Sendo doença não tem nada a ver com moralidade ou caráter. Se fosse, tanta gente de boa índole e bons princípios não ficaria dependente.

O alcoolismo pode se manifestar tanto no caminhoneiro quanto na mais delicada e prendada jovem, em pessoas de bom ou mau caráter, desde que haja contato com o álcool e o organismo seja predisposto à doença.

O alcoolismo está classificado como a terceira doença que mais mata no mundo, superado apenas pelas doenças do coração e pelo câncer que ainda está em segundo lugar.
Ocorre que o progresso na oncologia vem reduzindo consideravelmente as mortes por câncer, o mesmo acontecendo na cardiologia através das cirurgias cardíacas.

O alcoolismo, no entanto, vem matando cada vez mais, pelos seus baixíssimos índices de recuperação.

Além das mortes decorrentes de complicações da doença, como cirrose, pancreatite e convulsões, deve ser atribuída ao alcoolismo uma enorme parcela das mortes acidentais ou violentas, como atropelamentos, acidentes de trânsito, acidentes domésticos, acidentes de trabalho, afogamentos, homicídios e suicídios.

Essa é a razão que leva muitos estudiosos a admitirem que o alcoolismo já é a segunda doença que mais mata em todo mundo.

O alcoolismo é uma doença primária, ficando ela oculta na causa da morte de uma pessoa.
A morte proveniente de uma cirrose crônica não revela que a origem da enfermidade estava no álcool. O cidadão que aspirou vômito durante uma convulsão e morreu, no seu atestado de óbito constará que sua morte foi provocada por parada cardíaca posterior a uma insuficiência respiratória.
O mesmo acontecendo nos acidentes graves, onde, via de regra, os atestados de óbito revelam traumatismos generalizados, não deixando transparecer que o alcoolismo foi o agente causador.

Não existe nenhum exame clínico ou laboratorial que permita identificar se uma criança tem ou não predisposição ao alcoolismo, se nasceu ou não com organismo
de alcoólatra.
Isso só se descobrirá quando tiver seu contato com o álcool e com o desenvolvimento do seu modo de beber.

Um ponto importante é saber se existe algum portador da doença na família (pai, mãe, avô, avó, tios). Havendo a confirmação, a criança realmente apresenta maiores possibilidades de também vir a ser alcoólatra, devendo-se então redobrar a atenção.

É fundamental que profissionais da saúde, patrões e familiares estejam capacitados, cada um na sua esfera de ação, a identificar precocemente os casos de alcoolismo e, a partir daí, se esforcem para levar os alcoólatras à recuperação.
A idéia é neutralizar o princípio de que o alcoólatra só vai a tratamento quando chega ao “fundo do poço.”

Com certeza existe um contingente de pessoas que possui essa predisposição orgânica e que não foi colocado à prova por que nunca bebeu além do normal, ou por motivos dos mais diversos, como religiosos, políticos, etc.
São os alcoólatras virgens.

O alcoolismo é incurável, após o contato prolongado com o álcool e faz com que ele passe a progredir.
Porém, pode ser detido pela abstinência completa por toda a vida. Se não for estancado, pode levar à loucura ou à morte.

O diabético não consegue trabalhar o açúcar ingerido, o alcoólatra não sabe lidar com o álcool e não consegue eliminá-lo direito, expondo-se, sem defesa, a seus efeitos tóxicos.

Com o tempo, o organismo defeituoso vai se habituando a funcionar sob intoxicação e chegará a um ponto em que perderá inteiramente a capacidade de ação se não receber mais álcool. É a dependência química.

O alcoolismo tem origem na predisposição orgânica, com fatores psíquicos ou de personalidade que favorecem sua instalação.

A evolução do alcoolismo costuma obedecer a três estágios.

Com o primeiro na fase da adaptação, que pode levar muitos anos, no qual o organismo vai se acostumando a funcionar à álcool e permitindo que a vida possa ser levada normalmente, com alguns eventuais exageros.

No segundo estágio pode-se dizer que é a fase perigosa da tolerância alcoólica, em que o organismo pede doses crescentes, com o surgimento de problemas de toda ordem na vida do alcoólatra.

O terceiro, que às vezes pode se confundir um pouco com o segundo, é a fase da dependência total, com o cidadão já vivendo para beber e bebendo para viver.

Na segunda fase, já considerada crucial, a bebida passa a ocupar um espaço ainda maior e mais importante na vida do alcoólatra.

Ele organiza seu tempo e sua localização geográfica de modo a poder beber entre uma tarefa e outra. Age crescentemente em função da bebida.

Já se alimenta de forma precária e irregular.

Os desvios psicológicos se intensificam, as mentiras, as negações e os medos se tornam latentes. O orgulho se aflora a todo instante, tornando a administração das emoções algo muito difícil.

Os apagamentos passam a ser freqüentes.

Alguns sintomas da abstinência já se fazem presentes.

O tremor das mãos já se apresenta pela manhã, pois o sono é o maior período de tempo em que o alcoólatra fica sem beber, assim, ao acordar, o organismo está ressentido da falta de álcool.

Nessa segunda fase os problemas são constantes, muitas vezes em cascata.

As relações familiares e profissionais costumam levar o alcoólatra a pequenas interrupções na sua atividade alcoólica, em virtude do medo de perder o emprego ou ser abandonado pela esposa e filhos.

As paradas podem durar dias, semanas ou meses, quando é comum gabar-se de que não é alcoólatra, fazendo com que todos acreditem nesse fato.
Quando as coisas suavizam, ele se sente indiretamente autorizado a voltar aos goles que lhe dão muito prazer.
Todavia, em pouco tempo estará bebendo muito mais do que anteriormente.

Na terceira fase, os sintomas da abstinência já ganham intensidade, além do tremor das mãos, ocorrem sucessivas taquicardias, sudoreses, neurites, convulsões e é necessário beber a intervalos cada vez menores.
A vida do alcoólatra se torna insuportável, os acidentes se sucedem, perde a higiene e todos se afastam.
Costuma-se chamar do estágio do “bico do corvo”.

Os facilitadores ou co-dependentes, nessas alturas, se comportam de maneira mais prejudicial, escondendo-o das demais pessoas, aliviando suas mazelas e contemporizando suas bebedeiras.

Surgem as internações, geralmente em sanatórios ou clínicas psiquiátricas. Após a alta, volta logo à bebida.

Este é um ponto que merece ser bem analisado.Embora no período da internação o dependente se mantenha afastado da bebida, fato positivo para que ele possa dar valor à sua vida, ao seu trabalho e a sua família, os acontecimentos se contrapõem pela falta de um programa de apoio durante o tratamento,a falta de atividade que propicia o ócio nesses lugares, o ambiente muitas vezes hostil que o leva a um processo de revolta e só pense em tomar “uma” quando sair, embora jure para os familiares nunca mais beber, durante as visitas que são feitas no período da internação.
A partir daí, permanecendo a mesma situação de antes, outras internações se sucedem e o caminho da degradação física e mental passa a crescer e o valor da vida começa a perder o sentido.

Nesse estágio, somente duas coisas podem ocorrer, a loucura e a morte ou o desejo de querer parar e buscar ajuda adequada para a sua recuperação.

A manifestação aguda da abstinência transtorna a vida do alcoólatra, quando ele passa determinado tempo sem beber.
A síndrome da abstinência pode matar em virtude das convulsões oriundas do delírio.
O metabolismo do alcoólatra é extremamente lento para processar e eliminar o álcool ingerido.

Quando falamos em congênito entendemos aquilo que o feto adquire na vida intra-uterina.
Nem toda mãe alcoólatra gera filhos alcoólatras, mas se durante a gravidez a mãe utilizar o álcool, este é levado pelo cordão umbilical ao feto, propiciando a embriaguez.
Ao nascer, pode apresentar diversos problemas.
Outrossim, se o feto tiver a predisposição alcoólica, estará num ambiente inteiramente propício para o despertar da doença.

Observa-se também o inverso acontecer em várias famílias de alcoólatras, quando os filhos criam verdadeira aversão ao álcool, em virtude dos péssimos momentos vividos, embora sejam altamente propensos a terem a disfunção orgânica.

O organismo do alcoólatra é diferente do não-alcoólatra, face ao processo de eliminação do álcool ingerido.

No organismo normal, 10% do álcool ingerido são logo eliminados pelo suor, hálito e pela urina. Ou, como se diz, um trabalho de pele, pulmão e rim.
No descarte dos demais 90%, o corpo converte o álcool em outras substâncias, separando os elementos da sua fórmula química, até obter gás carbônico e água, os quais são eliminados naturalmente.
Esse processo tem fundamental participação do fígado.

Primeiro o álcool se transforma em aldeído acético, em seguida o aldeído acético se transforma em ácido acético e, finalmente, esse ácido acético se transforma em gás carbônico e água.

No organismo do alcoólatra, a primeira etapa, ou seja, a transformação do aldeído acético em ácido acético se faz de forma bem mais lenta, pela diminuta existência de uma enzima chamada “desidrogenase” que o fígado produz para ativar e acelerar as reações químicas necessárias.
Logo, o aldeído acético que não foi transformado, passa a gerar outras substâncias nocivas, que são as carbolinas e as isoquinolinas.

As carbolinas e as isoquinolinas são elementos altamente tóxicos, semelhantes ao ópio e com forte ação no cérebro, responsáveis por estabelecer a dependência química.

Evidentemente que o estado geral de desnutrição do alcoólatra tende a agravar todo esse processo.

Quanto maior for a dependência do álcool, maior será a compulsão, que é diferente da simples vontade que surge e vai embora.
Na compulsão, o organismo está descontrolado pela falta do álcool (segundo e terceiro estágios, normalmente).
Há a necessidade imperiosa de beber e buscar o equilíbrio ou diminuir o sofrimento.

Estudos indicam que existem pontos em comum na dita personalidade da grande maioria dos alcoólatras. Tais pontos formariam uma personalidade própria do alcoólatra, estabelecida antes mesmo do seu beber e se acentua com a evolução do alcoolismo.

O psiquiatra norte-americano Sam Bernard Wortis relaciona doze aspectos típicos dessa personalidade :

baixa tolerância a frustrações, baixa resistência a tensão ou ansiedade, sensação de isolamento, sensibilidade acentuada, tendência a atos impulsivos, tendência à auto-punição, narcisismo e exibicionismo, mudanças de humor, rebeldia e hostilidade inconsciente, necessidades bucais intensas (comer depressa e tomar água de uma só vez), imaturidade emocional e conflitos sexuais incógnitos
(dificuldade para estabelecer relação com o sexo oposto).

Contudo, essas características podem ser encontradas também em bebedores não-alcoólatras ou mesmo em abstêmios.
O que mostra de fato, que não basta a personalidade para definir o alcoolismo, é preciso que o organismo seja alcoólatra ou predisposto à doença.

Outro traço fundamental do alcoólatra é a obsessão ou a idéia fixa através da preocupação permanente com o álcool, que aumenta com o avanço da dependência.

Durante a carreira alcoólica, a obsessão se alia à compulsão para levar o doente a beber cada vez mais.
Ao parar de beber, a compulsão física tende a desaparecer, deixando porém a marca mental da obsessão, pela qual o alcoólatra acredita intimamente que o álcool é o remédio para todas as coisas da vida.

A obsessão pode fazer com que o doente em recuperação perca progressivamente os critérios para a manutenção da abstinência. É a principal causa das recaídas.
Nesse processo de obsessão, um aliado perigoso e sutil faz a sua parte – a lembrança eufórica.
O alcoólatra está em processo de recuperação e as coisas parecem andar bem na sua vida, demonstrando aos poucos que a serenidade enfim está chegando.

A lembrança eufórica passa a agir fazendo com que o alcoólatra estacionado codifique em sua mente os
momentos felizes vividos com o álcool, deletando aqueles que o crucificaram e quase o mataram.

A lembrança eufórica, sem dúvida alguma, age de forma perversa numa mente conturbada como a do alcoólatra.

Como já foi dito, o alcoólatra jamais será um bebedor social, mas a lembrança eufórica quer provar o contrário.
Um dos grandes méritos da irmandade AA é justamente o controle dessa obsessão, através da sua programação espiritual - os “doze passos” sugeridos.

Alguns perguntam se o álcool é calmante ou excitante.
Vale frisar que o álcool é depressor. O entusiasmo inicial com as pequenas doses, a desinibição e o riso fácil se explicam pela depressão dos centros mais sofisticados do cérebro.
Assim como deprime a atividade cerebral, o álcool inibe e anestesia qualquer função do organismo.
A longo prazo, a depressão se torna uma constante.

Ocorrendo a depressão, o alcoólatra procura de novo o álcool para lhe trazer o entusiasmo inicial e esse círculo vicioso fica instalado. Mais álcool, mais depressão, mais depressão, mais álcool.

Tristeza, decepção, estados depressivos, frustrações, mortes de familiares, pobreza e dor de cotovelo podem levar uma pessoa a beber mais, imaginando erradamente que o álcool irá aliviar a dor.

Se esses fatos acontecem na vida de um não-alcoólatra, que não carrega a disfunção orgânica, nada lhe acontecerá a não ser as bebedeiras e os problemas advindos delas, como brigas, acidentes, mais depressão, etc.

Um belo dia percebe que o álcool não ajudou em nada. Pelo contrário, só piorou as coisas. Simplesmente pára de beber sem maiores problemas.

Agora, diante do exposto, se tivermos um cidadão qualquer predisposto ao alcoolismo, ele estará ativando os processos bioquímicos que o levarão à dependência.

Em resumo, os problemas emocionais podem aproximar as pessoas do álcool. Mas, desse contato com o álcool, só desenvolverá o alcoolismo quem for predisposto à doença.

Para o alcoólatra, beber depois de uma bebedeira é a única forma de aliviar os sintomas da síndrome da abstinência.
Na ausência do álcool bebida, qualquer álcool serve, como perfume, álcool doméstico, desodorante e até álcool combustível.

O coma alcoólico é a intoxicação aguda provocada pelo álcool, quadro que pode ocorrer tanto com o alcoólatra como com aquele não-alcoólatra.
É o poder depressor do álcool agindo no sistema nervoso.

Por ser uma droga depressora, as doses iniciais anestesiam os mecanismos de censura.

Pessoas que guardam algum grau de violência latente e, sob o efeito do álcool, tem essa característica de personalidade liberada. A censura relaxa, podendo fazer emergir algumas formas de agressividade.

Existem aqueles que choram, os que riem muito, os galãs de novela, os chatos, os pegajosos, etc. Valendo isso para o alcoólatra e para aqueles não-alcoólatras.
O alcoolismo também provoca a diabetes, uma vez que o pâncreas reage com a destruição das suas células que controlam o açúcar. Mais uma doença se instala.

O sistema nervoso é afetado em toda a sua extensão.
Tanto as células nobres – os neurônios, como os nervos periféricos. Trata-se da deterioração progressiva do sistema nervoso central.

Os fenômenos emocionais decorrentes do alcoolismo, ou chamados de distúrbios alcoólicos da personalidade, são também reflexos da deterioração mental.

Em seus esforços para resguardar o alcoólatra por sua condição e comportamento, alguns defensores do conceito da “perda de controle” exageram na tese.

Embora os alcoólatras realmente percam o controle da bebida, uma vez que tenham começado a beber, é muito enganoso dizer que não podem sequer controlar a decisão de beber ou não.

E é de vital importância fazer esta distinção.

Os alcoólatras podem decidir beber ou não antes de tomar sua primeira dose em qualquer ocasião.
Do mesmo modo, os alcoólatras podem decidir se de fato continuarão sendo bebedores, ou se abandonarão a bebida para sempre. As centenas de milhares que cessaram de beber são prova eloqüente disso.
Se os alcoólatras nem sequer podem controlar a decisão de beber ou não, como é que tantos fizeram exatamente isso ?

Alcoólatra algum pode beber durante muito tempo sem um bocado de ajuda dos facilitadores em sua vida.
A família facilita quando encobre os atos do alcoólatra, quando paga suas contas, passa a mão na cabeça, esconde de todos o verdadeiro problema desse familiar, não deixando que ele enfrente todas as dificuldades provenientes do seu beber.

Um chefe na empresa facilita quando diminui as atividades do seu funcionário beberrão, achando que o acúmulo de serviço pode estar provocando um stress e fazendo com que ele vá buscar alívio na bebida.

Alguns profissionais da saúde facilitam quando se recusam a chamar o alcoólatra de alcoólatra,colocando o dedo na ferida e indicando a necessária ajuda.

Também facilitam quando receitam tranqüilizantes, sem tentar descobrir se os sintomas apresentados não são em virtude do alcoolismo.

Facilitam pelo afã de mergulhar nos primitivos anos do alcoólatra, na tentativa de desvendar traumas que possam estar por trás do seu beber ou na criação de teorias sobre a sua personalidade.
Ensaiam alternativas que possam levar o alcoólatra a beber moderadamente.
Como se isso fosse possível !
Mesmo que se pudesse, seria dez vezes mais difícil fazer um alcoólatra controlar a bebida do que parar em definitivo.

Ninguém pode ser culpado por se tornar alcoólatra, pois uma pessoa nascida com essa predisposição orgânica, e que começa a beber, está fazendo apenas o que se espera dela.

Se a sociedade soubesse que alcoolismo nada tem de moral ou imoral, tudo seria mais fácil. A vergonha do familiar deixaria de existir.
Pior do que esconder a doença é negá-la, não admitindo o alcoolismo na família.
Todas as justificativas feitas pelo alcoólatra são também exteriorizadas pela família.
Dessa forma, longe de ajudar, a negação retarda a análise e o enfrentamento do problema, prejudicando não só o alcoólatra como a todos.

Os conflitos são os sintomas que, na maioria dos casos sequer existiam antes e durante os primeiros anos do beber do alcoólatra. Ou se existiam, nada tinham a ver com o início do seu alcoolismo.

A verdadeira causa do alcoolismo é o beber, juntamente com a predisposição orgânica.
É o beber do alcoólatra e suas seqüelas que levam aos problemas e conflitos de personalidade, frustrações e outras dificuldades.
Ou seja, são conseqüências do alcoolismo e não causa.

Estão bebendo pesado porque tornaram-se dependentes do álcool. Precisam da bebida.
Isto não quer dizer que não sintam alívio com a ingestão,
sentem sim. Mas, esse alívio é apenas um benefício que a bebida oferece.

Não é a causa do seu beber.

Assim, aqueles que acham que bebedores se tornam alcoólatras porque têm conflitos de personalidade,
frustrações e dificuldades sócio-econômicas estão no mínimo cometendo dois enganos básicos.

Estão confundindo causas do alcoolismo com consequências do alcoolismo e com motivos para beber.

Via de regra, quando o alcoólatra afirma que está bebendo porque perdeu o emprego ou a mulher, o certo é que ele perdeu o emprego e a mulher porque bebe.

São motivos encontrados para beber.

A raiz do alcoolismo não são os problemas psicológicos e o beber não é o sintoma.

O beber é a raiz do problema e os problemas psicológicos são os sintomas.

Infelizmente, a vasta maioria dos alcoólatras é levada para clínicas psiquiátricas, que misturam alcoólatras com todos os tipos de doentes mentais e tranqüilizantes são receitados para todos.
Poucos, muito poucos ainda podem ir para algumas comunidades terapêuticas que sabem diferenciar alcoólatras de doentes mentais e como trabalhar a conscientização do dependente para querer parar de beber.

Mas, a facilitação também precisa cessar.
Quanto mais tempo a facilitação perdurar, tanto mais o alcoólatra beberá e mais danos causará a si próprio e a todos os demais. A cada dia que ele bebe, ele piora.

Para que um alcoólatra se recupere, ele precisa abandonar a bebida. Para que ele abandone a bebida, precisa querer abandoná-la. E para que queira abandoná-la, as desvantagens do seu beber precisam pesar mais do que as vantagens.

Não é tão fácil identificar um alcoólatra, a não ser em casos avançados pela própria aparência.
Nos estágios intermediários também, pelo próprio fator da negação por parte do alcoólatra, da família e dos amigos.
E é fundamental nesse estágio que o alcoólatra seja logo identificado, antes que atinja o “ fundo do poço”.

Alguns sinais são importantes para pessoas bem informadas, como por exemplo a queda do rendimento no trabalho, com as sucessivas ausências e justificativas dadas pela esposa nas segundas-feiras, os almoços prolongados, as escapadas para a rua durante o expediente, a melhor produtividade na
parte da tarde, as mudanças no humor, irritação, etc.
Suor excessivo, tremor das mãos, o hálito com a mania constante de mascar chicletes e chupar balas.
Sinal da maior importância é a agressividade e o ressentimento quando alguém lhe questiona o hábito de beber.

Muitos perguntam como podem saber se são alcoólatras ou não. Os Alcoólicos Anônimos formularam doze questões para aqueles que se encontram preocupados :

* Já tentou parar de beber por uma semana ou mais sem conseguir atingir esse objetivo ?

* Fica ressentido com conselhos daqueles que tentam fazê-lo parar de beber ?

* Já tentou controlar sua tendência a beber trocando uma bebida por outra ?

* Tomou algum trago pela manhã nos últimos meses ?

* Inveja aqueles que bebem sem criar problemas ?

* Seu problema com a bebida vem se tornando cada vez sério nos últimos doze meses ?

* A bebida já criou problemas em sua casa ?

* Nas reuniões sociais em que as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras ?

* Você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer, apesar das provas em contrário ?

* Faltou ao serviço nos últimos doze meses por causa da bebida ?

* Já teve apagamentos depois de uma bebedeira ?

* Já pensou que poderia aproveitar melhor a vida se não bebesse ?

Em caso de quatro ou mais respostas afirmativas, a probabilidade de ser alcoólatra é bastante grande.

O mecanismo da negação da doença tem múltiplos fatores e, por isso, é bastante complexo.
O fator moral é decerto o mais importante, já que é tradição ver o alcoólatra como um fraco, um viciado e mesmo um fracassado.
Ele próprio se enxerga ou teme se enxergar dessa forma e assim faz tudo para negar o problema.

Logo, para recuperar-se, o alcoólatra precisa deixar de beber. Mas, para deixar de beber, ele precisa querer deixar.

O alcoólatra precisa sair do círculo vicioso em que se encontra para não morrer, pois quanto mais tempo estiver nele, mais difícil será sair. O tempo é um fator crítico.

Todavia, a falta de conhecimento dos que o cercam, em vez de ajudar, ainda pioram as coisas.
Se fizermos a qualquer instante uma pesquisa de rua perguntando porque algumas pessoas bebem, a resposta certa é de que bebem por problemas familiares, econômicos e outros tantos mais. Ou seja, para a sociedade, o alcoólatra bebe em virtude de problemas não resolvidos.
A desinformação é a tônica.

Mais uma vez vale frisar, o alcoólatra bebe por causa da sua dependência e não por causa dos seus problemas, pois se os seus problemas são repentinamente resolvidos é justamente aí que ele irá beber ainda mais.
Seja em quaisquer circunstâncias. Se ele tem problemas financeiros e repentinamente uma importância que não esperava lhe chega às mãos e, com isso, consegue pagar todas as suas dívidas, certamente ele irá beber ainda mais.
Trata-se da dependência e não dos motivos criados.

Não é de surpreender que o alcoólatra analise sua situação de maneira invertida. Nove alcoólatras em dez não sabem que são alcoólatras, dependentes do álcool ou doentes.

O mecanismo da negação entra sempre em ação, trata-se de um mecanismo de defesa. É um esforço de esconder a realidade, deixando a impressão de que os problemas são responsáveis pelo beber.

Segundo o psiquiatra Carl Jung em um dos seus famosos pronunciamentos deixados, alguns bebedores chegam a mergulhar tão profundamente no alcoolismo que apenas uma experiência espiritual transformadora pode salvar.
É preciso a rendição total como um primeiro passo, o esmagamento de todo o processo de negação e orgulho.
Ocorrendo a partir desse ponto, uma mudança na maneira de ser da pessoa, na sua qualidade de vida, levando-o a uma sobriedade genuína com a pacificação das suas emoções.

A abstinência deve ser entendida como o fato de se estar sem beber. Sobriedade é estar sem beber e com qualidade de vida.

Ou, como dizia o psicanalista Eduardo Mascarenhas ao se referir à sobriedade genuína :
“a abstinência com qualidade de vida e com a pacificação das emoções, aprendendo-se a controlar todos os impulsos e desvios da personalidade”.

Aliás, vale ressaltar a franqueza e a honestidade desse profissional da saúde ao afirmar durante um congresso que, com todos os seus anos de dedicação à psicanálise, jamais conseguiu recuperar um alcoólatra sequer.

Para Jung, o alcoólatra traz consigo uma falta de humildade própria da doença, daí a sua reabilitação estar associada a uma necessária desinflação do ego.

Suas características também evidentes estão concentradas na insegurança e na imaturidade, aspectos da sua personalidade que são minimizados durante o processo de ingestão do álcool e no consumo das outras drogas.
Os mecanismos naturais de censura são liberados e o comportamento transfigurado durante o uso.

Os fatores de recaída também estão associados ao complexo triângulo da auto-obsessão mal trabalhado pelo dependente.
Muitas vezes, após longo tempo longe das drogas, recai pela falta de mudanças na sua vida, permanecendo com o mesmo perfil de dependente, embora sem estar usando ou bebendo.
Simplesmente abstêmio e não sóbrio, roendo correntes e preso aos ressentimentos (passado), raiva (presente) e medo (futuro), fatores extremamente propícios à recaída.
Nesse triângulo é preciso inserir a aceitação para os fatos do passado, o amor para o presente momento e a fé para os seus projetos de vida no futuro.

Vai daí que o processo de recuperação só pode começar quando o doente admite sua impotência perante o álcool.

Ora, nada mais aterrorizante para o alcoólatra do que imaginar a sua vida sem o álcool, sem o seu manto protetor.
A dependência química e o terror de ficar sem o álcool sempre fala muito alto.

“Não sou alcoólatra, paro de beber quando quiser e, além do mais, bebo com o meu dinheiro.”

Nada mais que o orgulho explodindo a todo instante.

Como foi dito, a dependência química do álcool pode ser considerada como a porta de entrada para as demais drogas e estimulantes, visto ser comum observar-se que o uso de outros agentes vêm precedido de vastas doses de bebida.

Substâncias químicas que provocam dependência e afetam o sistema nervoso, causando alterações na mente, no corpo e, por fim, no comportamento das pessoas.

Elas podem ser de origem natural, como a maconha e os cogumelos, ou natural + sintética, como o álcool, a cocaína, e outras mais.

Pode-se destacar os seguintes tipos de drogas :

Estimulantes : cocaína, crack, ecstasy e anfetaminas

Alucinógenos : LSD e cogumelos

Narcóticos : heroína, ópio e morfina

Depressivos : álcool, maconha e tranqüilizantes

Inalantes : produtos solventes de uso caseiro como
acetona, tintas, colas e sprays


Maconha
Produzida com folhas secas da erva “canabis sativa”, é uma das drogas mais consumidas pelos jovens, no intuito de diminuir as inibições.Provoca sensação de relaxamento e percepção acentuada de sons e cores.
Entre os seus efeitos verificados estão a boca seca, tremor e vermelhidão dos olhos.
Seu uso prolongado causa depressão e apatia, perda da memória e da concentração, paranóia e risco de psicose.

Cocaína
Obtida das folhas da planta da coca. Seu efeito principal é o aspecto estimulante. Provoca sensação de poder, auto-suficiência e segurança. Como seus efeitos desaparecem em pouco tempo, a pessoa tem necessidade de usar novas doses. Provoca dilatação da pupila, ocasiona temores e insônia.
O pó pode ser aspirado ou dissolvido em água para injeção na veia. Provoca alucinações, podendo levar a uma parada cardíaca com morte fulminante, inclusive em usuários de uma única vez.

Crack
É um dos subprodutos da cocaína, misturado em forma de pasta com bicarbonato de sódio. A pessoa respira a fumaça que sai da queima da pedra. Provoca sensação de prazer, excitação e mais energia. Seu uso repetitivo pode causar cansaço e intensa depressão.

Com o tempo, provoca tremores, paranóia, alucinações e perda da libido (desejo sexual). Sua dependência é rápida, sendo ainda mais nocivo à saúde do que a cocaína.

Ecstasy
Falsamente conhecida como “ pílula do amor”, pelo seu efeito estimulante do desejo sexual.
Seus sintomas são a desidratação, náuseas e vômitos.
Leva à sensação de poder, segurança, auto-suficiência e coragem. Tem um potencial enorme de provocar suicídio e homicídio, principalmente se misturado com álcool.

LSD
Droga alucinógena e estimulante, de origem sintética.
Altera a percepção de espaço e tempo, provocando muita confusão mental. As “viagens” proporcionadas pela droga podem levar ao coma e à parada cardíaca.
A pessoa costuma ficar desorientada e esse ácido provoca ansiedade aguda e depressão.

Outras drogas ainda devem ser mencionadas :

Anabolizantes
Sua função principal é a reposição da testosterona ou o hormônio masculino. Sua finalidade é provocar aumento da massa muscular. Muito usado por esportistas, sem acompanhamento médico e principalmente nas academias de ginástica.
Seus sintomas são tremores, retenção de líquidos, dores nas juntas, aumento da pressão sanguínea, doenças do fígado e câncer nos testículos.

Anfetaminas
São drogas utilizadas para a diminuição do apetite. O acompanhamento médico é fundamental, pois diminuem o sono, provocam dependência psicológica, arritmia
cardíaca, agressividade e alucinações.

Benzodiazepinas
São tranqüilizantes usados no tratamento da ansiedade e da insônia. Necessário acompanhamento médico, visto a dependência a ser causada.

Infelizmente é triste constatar-se que o jovem é a grande vítima dos fatores desajustados da sociedade que vivemos.

Os motivos são vários e, dentre eles, pode-se enumerar aqueles que os levam a se sentir deprimidos pela falta de perspectivas de futuro, insatisfeitos com sua qualidade de vida, a busca de alívio para a sua ansiedade, impulsão pela busca do prazer e carentes de apoio e orientação familiar.

É muito importante procurar neutralizar esses fatores de aproximação, conscientizando sobre os malefícios e demais prejuízos, informando que o prazer momentâneo é seguido por uma triste realidade, incentivando a prática de esportes,aconselhando a ter bons amigos com o abandono dos velhos hábitos e, acima de tudo, proporcionando uma comunicação constante com o jovem.

O dependente químico deve ser considerado como doente e tratado como tal. Ele precisa de ajuda.

As empresas estão se tornando um local propício para o consumo e até mesmo para a compra da droga.

“Se acabava a droga no trabalho, eu mandava buscar mais por motoboy. Bastava ligar .Quando chegava, eu saía da minha sala e ia pegar a cocaína.”

Relatos como esse são mais freqüentes do que se possa imaginar e fazem parte do dia a dia de inúmeras empresas.

O velho dogma de que o consumo não combina com o trabalho parece ter perdido a validade. Alcoólatras e usuários de maconha, cocaína e outros entorpecentes convivem hoje com funcionários sadios, e sem levantar qualquer suspeita. Embora com dificuldades peculiares, eles cumprem suas tarefas e tomam decisões importantes.Muitos conseguem até evoluir na carreira, o que só torna mais difícil o diagnóstico e o eventual tratamento – afinal quem vai suspeitar de uma pessoa aparentemente bem sucedida ?
Embora oculto, o flagelo das drogas vem gerando prejuízos concretos para as empresas, de acidentes de trabalho à perda de rendimento de profissionais talentosos.
Dependendo do tamanho da organização, é possível até que pequenos traficantes estejam na folha de pagamentos.

O problema não é novo. As drogas sempre estiveram presentes em locais de convivência social, como escolas, universidades e clubes. Mas há sinais de que estão se tornando um autêntico problema de saúde corporativa.

Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) assegura que pelo menos 71% dos dependentes norte-americanos estão regularmente empregados. No Brasil, as estatísticas ainda são desencontradas, mas os especialistas concordam que o índice tende a ser semelhante ao dos Estados Unidos. Segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), pelo menos metade dos dependentes brasileiros tem um emprego fixo.

Por certo, na indústria estima-se que um em cada dez empregados é alcoólatra. Não importando o nível hierárquico ocupado, pois a democracia do álcool se faz presente todas as vezes.

Diversos fatores explicam o surto de dependência no ambiente empresarial, desde os conhecidos processos de acobertamento por parte das lideranças até a crescente flexibilização das relações de trabalho. Cada vez mais profissionais desempenham suas tarefas sem qualquer horário determinado.
Muitos sequer aparecem na empresa, ficam em casa mesmo comunicando-se com chefes e subordinados por e-mail e telefone. Em resumo, uma situação bastante confortável para quem trabalha sob o efeito de psicoativos.

Há também uma espécie de simbiose entre o consumo e o trabalho. Primeiro porque as drogas “ajudam” a enfrentar as durezas da rotina diária, na tentativa de reduzir a ansiedade, para se manter acordadas e para tentar melhorar o desempenho profissional.


A questão, porém, já não se resume ao consumo. Envolve também a compra e venda de entorpecentes no local de trabalho. Involuntariamente, as empresas começam a abrigar pequenos traficantes. Na prática, a empresa até que representa um lugar seguro para se adquirir drogas – até porque está acima de suspeitas e nem a polícia tem poder legal para realizar batidas ou fiscalizações-relâmpago dentro das organizações. E tampouco há interesse nisso, já que as ações de segurança pública visam os grandes traficantes.

Em média, os funcionários que consomem drogas utilizam os serviços de saúde das empresas até dezesseis vezes mais do que seus colegas sadios. Mas, em matéria de licenças hospitalares – necessárias para internação ou tratamentos de emergência – a diferença é de oito vezes.

Inevitavelmente, o problema afeta a produtividade, pois empregados dependentes faltam dez vezes mais ao serviço.
Os usuários também colocam em risco o resto da equipe, podem cometer atos impulsivos, arriscados e até envolver outras pessoas em acidentes.

Em mais uma das estatísticas, a American Management Association (AMA) estima que os usuários de substâncias psicoativas são responsáveis diretos por até 65% dos acidentes de trabalho.

Quando se trata de executivos e profissionais de alto escalão, os prejuízos passam a ser incalculáveis. A produtividade média chega a ser 30% inferior. Pode-se imaginar, portanto, o que ocorre em uma companhia cujas principais decisões são tomadas por um diretor em porre constante. A pessoa se torna agressiva e cria conflitos com os subordinados e isso acaba se refletindo em toda a empresa.

Em uma multinacional de grande porte estabelecida no Brasil, fabricante de tratores e máquinas industriais, um executivo norte-americano foi destacado para um dos cargos de direção da empresa aqui no país. Tinha todos os requisitos necessários para o cargo: dedicação, empenho e talento. Pouca gente sabia que aquele homem, aparentemente bem sucedido, era na verdade um alcoólatra.

O problema só se tornou visível depois de algum tempo, quando o novo diretor começou a beber durante o trabalho.

Deixava de cumprir tarefas e de honrar compromissos importantes. Até que, claramente debilitado, foi convocado a entrar no programa de apoio a dependentes químicos da empresa – que na época existia somente na matriz nos Estados Unidos.

Ao final, o tratamento desse executivo motivou a vinda do programa para o Brasil e transformou a filial daqui em uma referência no combate à dependência.

A experiência deixou lições importantes. A principal delas: quanto maior a hierarquia do dependente, mais difícil é encaminhá-lo a um tratamento adequado. Na área administrativa, o dependente tem mais liberdade para determinar horários. Se estiver de ressaca, pode se isolar e pedir à secretária para não ser incomodado, arranja uma reunião fora da empresa ou simplesmente consegue uma justificativa inteligente para se ausentar, ou para ir beber.

No final das contas, a dificuldade de diagnóstico é mais um dos fatores que favorecem o uso de drogas no ambiente de trabalho. No Brasil, muitos empresários relutam em implantar programas formais de combate à droga, simplesmente porque temem manchar o nome da companhia, não querem investir no processo ou por receio de criar um clima de desconfiança entre os funcionários. Simplesmente preferem fazer a política do avestruz.

Em vez de ajudar, porém, a maioria das companhias prefere simplesmente botar os dependentes no olho da rua.
Hoje, a legislação está se atualizando, pois diversas mudanças já foram realizadas com um objetivo comum, possibilitar que o dependente seja encaminhado para tratamento. Há uma tendência maior de se aceitar a dependência como doença.

Nas poucas empresas que já adotam programas de recuperação, o primeiro cuidado é justamente o de não demitir o dependente. Os especialistas garantem que ambos, empresa e empregado, têm a ganhar com a manutenção do contrato de trabalho.
Essas companhias já perceberam que é mais fácil e mais barato dar apoio do que dispensar a pessoa e depois ter de buscar e treinar o substituto( que também pode ser um dependente).

Além disso, a cooperação cria um ambiente mais amistoso entre os funcionários. Fica claro que a empresa está disposta a ajudar em vez de punir.

É preciso ter um programa implantado, com profissionais que conheçam o assunto. Programas que muitas vezes se estendem aos familiares do dependente.

O grande desafio dos programas é identificar quem precisa de ajuda. Geralmente a dependência só se torna evidente, aos olhos dos leigos, em um estágio já avançado.

A importância da “neuroplasticidade”.

De pouco tempo para cá, vem ganhando intensidade os
estudos sobre a recuperação das funções das células
nervosas - a neuroplasticidade.

As descobertas nessa área tem abalado o clássico conceito
da morte dos neurônios.

As evidências indicam a reabilitação das funções cerebrais
como o pensamento, lógica, raciocínio e memória, por meio
de novas rotas eletrofisiológicas entre os neurônios.

Os estudos revelam que estas células não morreram, apenas ficaram adormecidas pelo bloqueio das rotas originais.

Assim sendo, as novas rotas geradas pelo próprio cérebro restabelecem a comunicação entre os neurônios e conseqüentemente a função cerebral perdida.
O usuário ao estacionar a sua dependência química, retoma as suas atividades com mais aptidão e maior facilidade de assimilação e de senso de criatividade.

Diversos testes específicos se desenvolvem em alguns países europeus, chamando a atenção das comunidades científicas de o todo mundo.

Inúmeros dados divulgados por empresas que possuem bons
programas de prevenção à dependência, mostram que vale a pena trabalhar com a recuperação desses colaboradores.

É certo que para cada 1 dólar investido em prevenção, a empresa economiza 4 dólares no tratamento inerente à dependência química.
Pesquisas revelam que o trabalho da prevenção reduz em 21% o absenteísmo e em 17% os acidentes no local de de trabalho, aumentando a produtividade em 14%.

Um forte argumento a favor da recuperação plena dos dependentes químicos pelas empresas, são os ganhos em produtividade e a visível melhora do desempenho das funções profissionais, face ao apego à vida e ao trabalho.

O que podemos chamar de responsabilidade social.

Bibliografia

Lazo, Donald M.
Alcoolismo, o que você precisa saber, editora Paulinas.

Vespucci, Emanuel e Ricardo
O revólver que sempre dispara, editora Casa Amarela.

Mascarenhas, E.
Alcoolismo, drogas e grupos anônimos de mútua ajuda,
editora Siciliano.

Bucher, R.
Drogas e drogadição no Brasil, editora Artes Médicas.

Hilmann, J.
Psicologia arquetípica, editora Cultrix.

Literatura de Alcoólicos Anônimos.

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