Brinquedos
Eletrônicos ou tradicionais?

A evolução tecnológica está presente em todos os setores. Estamos na era da eletrônica. E se o futuro já chegou, não poderia deixar de estar presente também nos brinquedos. Aos poucos, as figuras artesanais foram dando lugar a produtos mais sofisticados.
Mas surge a dúvida: será que esses brinquedos atendem às necessidades lúdicas das crianças ou são mera estratégia mercadológica?
Segundo representantes das duas empresas líderes do setor no Brasil, a Estrela e a Tec Toy, as duas hipóteses são válidas e se complementam. Eles afirmam que não é verdade a acusação de que os brinquedos da era eletrônica não interagem com os pequenos. A interação, a participação e o interesse são evidentes à medida que esses brinquedos são consumidos.
O diretor de marketing da Estrela, Aderson Alves Lopes, afirma que “a entrada da eletrônica nos brinquedos é definitiva, pois veio substituir com vantagens os mecanismos eletromecânicos”. Nenhum brinquedo deixa o aspecto interação de lado, conforme Stefano Arnhold, diretor de marketing da Tec Toy, empresa que se especializou em eletrônica.
Ambos concordam, no entanto, que as crianças necessitam de estímulos diferentes conforme a idade. “O conceito de brinquedo possui espaço para os eletrônicos, os educativos, os esportivos e os emocionais. A criança não tem um só tipo de brinquedo”, observa o diretor da Estrela. “Nenhuma criança fica 24 horas por dia jogando vídeo-game, como também não fica na escola ou brincando na rua”, completa o representante da Tec Toy.

Meio termo

Embora reconheça o fascínio que os brinquedos da era eletrônica exercem sobre as crianças – e mesmo sobre os pais – a psicóloga Mônica tem algumas ressalvas a respeito da interação dos mesmos com as crianças.
“Não sou contra os eletrônicos”, alerta Mônica, “mas é preciso um certo cuidado. Um brinquedo não pode ser comprado em troca do sossego dos pais ou mesmo para substituir a convivência com outras crianças, por exemplo”.
Se por um lado jogos como vídeo-games e outros do mesmo tipo ajudam a desenvolver o raciocínio, a rapidez, a precisão e a motricidade, por outro, tolhem a imaginação. ‘’A partir do momento que a criança descobre a chave, sua ação vira um ato mecânico, de rapidez”, explica a psicóloga.
Bonecas que dançam, carrinhos com controle remoto, na opinião de Mônica, transformam a criança num espectador. “Ela recebe pronto, não cria nada”, diz. “Com os tradicionais ela inventa, troca papéis, o que é fundamental para a vida adulta. A fantasia é muito importante. Por isso entendo que em tudo deve haver um meio termo, pois a criança deve ter diversas experiências”.

Entrevista ao jornal A Tribuna
em 12 de outubro de 1990

Mônica de Lima Azevedo


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E-mail  - monica@monicadelimaazevedo.psc.br

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