Amuletos trazem força para muitos
Pode ser uma pedra ou figa, há quem não saia de casa sem
o seu.
O aposentado Oswaldo Moreira, 41 anos,
morador do Jardim Caraguatá, em Cubatão, não sai
de casa sem seu patuá na carteira. Ele diz que não pode
mostrá-lo. “Foi minha avó quem fez e nem eu sei
o que tem dentro”.
Para ele, o amuleto dá muita sorte e traz confiança. “Há
anos levo-o comigo para todo lado. Fica junto do meus documentos. Ele
sempre me ajudou”.
Assim como Oswaldo, é muito difícil encontrar uma pessoa
que não leve um objeto de sorte para cima e para baixo.
A psicóloga Mônica de Lima Azevedo diz que, em se tratando
de figas, santinhos, pedras e afins, o importante é o pensamento
que a pessoa deposita no objeto.
“Nós somos o que pensamos. Se você coloca uma expectativa
positiva, a chance daquilo ir para frente é grande”.
Ela explica que, para muitas pessoas, esses amuletos são uma
forma de ligação com uma força superior. “Tem
gente que chama esse poder de Deus, de Alá, Cosmos. Cada um tem
um nome”.
Mais: e que muita gente transfere a própria força interior
para um objeto. “Para alguns isso é fácil de encarar.
A pessoa deposita ali sua energia e as coisas realmente acontecem”.
Mônica esclarece que na psicologia existe a chamada profecia auto-realizável.
“Você age de acordo com uma hipótese inicial. Se
você acha que vai dar certo, o pensamento tem força”.
Ela comenta que esse comportamento pode ser tanto do lado positivo quanto
do lado negativo. “Quando acredita-se, num primeiro momento, que
algo vai dar errado, isso acaba acontecendo”.
Ação
Porém, a especialista comenta que
pode ser perigoso você sempre precisar de algo para colocar sua
força interior. “Para as coisas darem certo é preciso
de um esforço”.
Segundo ela, não adianta ficar esperando os problemas serem resolvidos
e ficar agarrado a uma pedra, por exemplo.
“Se você acha que só está protegido por coisas
externas, se vai ter sorte por causa daquele determinado patuá,
fica complicado. Temos que fazer a nossa parte também".
Jornal Expresso Popular –
23/07/2002
Mônica de Lima Azevedo
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