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LIMÃO AZEDO
Outro dia, um amigo comentou comigo que não conseguia entender
porque as pessoas vivem tão "armadas". Ele não
se referia ao porte de armas brancas ou de fogo, mas aos espíritos
armados, desses que andam pelas ruas ou dirigem seus carros cheios de
pedras na mão, com olhar ameaçador; chutando cães
e gatos; distribuindo mau humor e agressividade; incapazes de reagir positivamente
mesmo a um sorriso de bebê.
Refleti bastante sobre o que ele disse, procurando analisar meu próprio
comportamento. De fato, há dias que a paciência sai de férias
ou se quer sumir do mapa, fechar para balanço... Ninguém
é de ferro! Até as personalidades mais equilibradas e santas
têm seus momentos de tolerância zero.
O problema não é o extravasar, mas sim como se extravasa!
Tem a ver com a pressão sofrida e a capacidade de suportá-la,
controlá-la ou ignorá-la, sem respingar magma para todo
o lado.
Mas, voltando à queixa de meu amigo, parece existir tanta desconfiança
e prevenção entre as pessoas, que, às vezes, até
manifestações de boa educação e cortesia são
mal-recebidas.
Desde adolescente sempre tive o hábito de ceder lugar, em meios
de transporte coletivos, ou passagem para crianças, idosos, grávidas
e mulheres em geral. Uma vez, ao fazê-lo para uma jovem, recebi
dela o seguinte comentário: "Mas que atitude machista"!
Esse tipo de espírito armado, preconceituoso por princípio,
também desconfia de ajuda gratuita, honestidade, franqueza e bondade;
tem medo de receber e fazer perguntas; faz de conta que não ouve,
olha para o lado e pensa: "Xiii... Esse cara está com segundas
intenções...".
Infelizmente, o cotidiano das cidades confirma que, em muitos casos, isso
é verdade. A população se divide em gatos escaldados
e lobos em pele de cordeiro. O resultado é que as pessoas estão
perdendo a sensibilidade e até a humanidade.
Francamente, é impossível viver o tempo todo numa redoma!
Isso consome muita energia, esgota, faz envelhecer mais cedo! Quem persiste
nesse padrão de vida acaba virando mais um na estatística
da solidão das cidades, ou forma mais uma tribo ou gueto.
Praticar cortesia: dizer bom dia a um subalterno ou superior; ceder passagem
ou lugar a quem tem necessidades especiais; sorrir, respeitar e dialogar
é a melhor forma de prevenir e combater o mau humor e a depressão,
próprios ou dos outros. E não pense que fazer isso é
um sinal de fraqueza. Fraco - e imbecil - é quem faz uso desnecessário
ou irracional de inteligência ou força para amedrontar inocentes,
mostrar que manda ou simplesmente “manter a fama de mau”.
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA)
e
Compositor
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