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O PODER DO PERDÃO
Escrito por Fred Luskin, doutor em Aconselhamento
clínico e Psicologia da Saúde pela Universidade de Stanford,
o poder do perdão é um manual de adestramento em uma prática
muito difícil: a de ministrar e administrar o perdão. Com
base em um dos maiores e mais importantes estudos já realizados
sobre o tema – o Projeto para o Perdão da Universidade de
Stanford, desenvolvido pelo autor?, o livro oferece um novo e surpreendente
insight a respeito dos poderes curativos do perdão.
Por meio de suas pesquisas, o Dr. Fred Luskin provou e comprovou que o
exercício do perdão é benéfico para a saúde
física e mental de qualquer pessoa. Seus estudos foram transformados
num livro útil e agradável, cientificamente documentado,
que combina uma pesquisa inovadora com uma metodologia comprovada, sendo
um guia acessível e prático para todos aprenderem o poder
do perdão. O autor apresenta ferramentas e técnicas que
permitem a qualquer pessoa livrar-se da mágoa e da culpa, controlar
melhor suas emoções e sentir a paz de espírito resultante
do perdão.
Com freqüência passamos por situações que nos
causam sofrimento, provocadas por amigos, cônjuges, familiares ou
sócios e, em cada situação por reagirmos com inabilidade
ao não termos conseguido o que queríamos cria-se uma mágoa.
Alimentamos rancores, sofrimentos e ódios que nos incomodam há
muito tempo. Algumas pessoas lidam com circunstâncias dolorosas
sem se aborrecerem, adaptando-se à dificuldade, mas a grande maioria
desenvolve mágoas e permanecem atoladas nela durante anos. O Dr.
Luskin esclarece, então, que a criação de uma mágoa
não é sinal de doença mental, não é
sinal de fraqueza, estupidez ou falta de auto-estima. Muitas vezes, significa
simplesmente que falta treinamento de como fazer as coisas de outro modo.
Magoar-se é um aspecto normal e difícil de todos em relação
à vida, e quase todos nós desenvolvemos uma mágoa
em algum momento. Porém, só porque a mágoa é
trivial não significa que seja saudável e, embora reagir
ao sofrimento por meio da criação de uma mágoa seja
comum, uma reação diferente a casos dolorosos da vida levará
a menos sofrimento.
Ao guardar-se ressentimentos, culpar os outros ou apegar-se a mágoas,
a vida pessoal e profissional é desorganizada, tomam-se decisões
equivocadas e liberam-se no corpo substâncias químicas associadas
ao estresse. A manifestação da raiva é útil
apenas em situações nas quais a ação resultante
soluciona o problema, sendo o número dessas situações
bem limitado. Pode ser uma ótima solução de curto
prazo para as dificuldades da vida na medida em que nos faz lembrar que
temos um problema que necessita de atenção. Contudo, a raiva
ou mágoa mantida por um período longo quase sempre é
inútil, levando à frustração, desesperança,
relacionamentos arruinados e problemas de saúde.
Por intermédio do treinamento relativo ao perdão, segundo
o autor, podemos cicatrizar as feridas que já possuímos,
identificar a maneira pela qual criamos uma mágoa e, desse modo,
limitar a quantidade de mágoas que desenvolveremos no futuro.
O aprendizado de lidar com sofrimentos, ofensas e desapontamentos com
mais habilidade não impedirá que as coisas possam correr
mal na vida. As pessoas continuam sendo pouco amáveis, e casos
fortuitos podem ainda fazê-lo sofrer. O mundo está repleto
de sofrimento e dificuldade, e só porque aprendemos a nos adaptar
melhor não significa que os problemas acabaram. O que irá
mudar, porém, é o espaço que alugamos para eles em
nossa mente e a quantidade de raiva, desesperança e aflição
que sentimos. A vida não é perfeita, mas podemos aprender
a sofrer menos. Podemos aprender a perdoar, e podemos aprender a nos curar.
O surgimento de uma mágoa, segundo o Dr. Luskin segue um processo
claro, é fácil de entender, e previsível em todos
os casos. Para que nasça uma mágoa que interfira na sua
vida, você faz três coisas mencionadas a seguir:
• Assume uma afronta em termos muito
pessoais.
• Culpa o autor da afronta por como você se sente.
• Cria uma história sobre a mágoa.
Todos os casos dolorosos da vida apresentam caráter tanto pessoal
quanto impessoal. Quando algo doloroso acontece para alguém, conseguimos
sentir o caráter impessoal da afronta, e raramente sentimos uma
dor pessoal. Estupros, homicídios, desastres naturais, roubos,
fraudes, mentiras e deslealdades acontecem diariamente. Não podemos
sentir pessoalmente o impacto de cada uma dessas desgraças. O fato
de ignorar, ou de ser indiferente a algumas desgraças, reflete
a compreensão de que talvez não possamos lidar com todo
sofrimento do mundo. Sabemos que o sofrimento impessoal está em
toda parte.
O desafio é localizar o elemento impessoal do sofrimento quando
a rejeição, os maus-tratos e as afrontas acontecem para
todos nós. Em vez de nos sentirmos sós no sofrimento, devemos
lembrar que nada que nos acontece é exclusivo; isso é um
fato da vida. O segundo modo para desvendar a dimensão impessoal
do sofrimento é entender que a maioria das afrontas é cometida
sem a intenção de fazer alguém sofrer.
O passo seguinte para a criação da mágoa é
fazer o jogo da culpa: culpamos alguma pessoa pelos problemas, permanecemos
paralisados no passado e o sofrimento aumenta. Ao fazermos o jogo da culpa,
oferecemos o pior tipo de hipótese relativamente ao motivo pelo
qual sofremos.
O sedutor a respeito do jogo da culpa é que, de início,
você pode se sentir melhor. Pode-se sentir alívio em curto
prazo, porque o sofrimento é responsabilidade de alguém.
Em longo prazo, porém, os sentimentos favoráveis desaparecem
e começa-se a sentir desamparo e vulnerabilidade.
O Dr. Luskin esclarece que quando pensamos sobre um sofrimento o organismo
reage como se estivesse em perigo e ativa o que se conhece como a reação
de lutar-ou-fugir. O organismo libera, então, as substâncias
químicas associadas ao estresse. Essas substâncias provocam
mudanças físicas e nos sentimos nervosos e indispostos.
Essa reação física inteiramente normal e a culpa
que você atribui à pessoa que o fez sofrer cimentam a mágoa,
que começa quando você assume em termos muito pessoais algo
que o desagradou. Quando culpamos outra pessoa pela maneira como nos sentimos,
concedemos a essa pessoa o poder de controlar as emoções,
perdemos a chave do alívio das nossas mãos e colocamos nas
mãos de outra pessoa, pois todas as vezes que revivermos essas
lembranças sentiremos tanto na mente como no corpo as reações
do estresse.
Sentir-se mal sempre que pensamos a respeito da pessoa que nos fez sofrer
torna-se um hábito, fazendo-nos sentir como a vítima de
alguém mais poderoso.
O terceiro passo no nascimento da mágoa é a criação
de uma história sobre os fatos indesejáveis que nos ocorreram
refletindo o nosso ponto de vista, onde escolhemos o papel de vítima.
Freqüentemente, por meio do relato da história, nos ligamos
de modo negativo a uma situação prejudicial que nos afetou.
O perigo é que podemos nos habituar a contar a história
desagradável, que assumimos em termos muito pessoais, e então
culpar a outra pessoa por algo feito no passado. Pintamos o quadro da
impotência em virtude da crueldade de alguém. Ao fazer isso,
criamos uma história sobre a mágoa.
Fred Luskin propõe neste livro que o perdão nos mostra como
reagir com mais habilidade aos sofrimentos e dá ferramentas cientificamente
comprovadas para curá-los e tocar a vida adiante. O perdão
significa que encontramos a paz de espírito, embora estivéssemos
sofrendo e fôssemos maltratados. Perdoar significa tocar a vida
para frente, significa que ficamos mais responsáveis por como nos
sentimos; que aprendemos a assumir os acontecimentos dolorosos em termos
menos pessoais. O perdão significa que nos reconectamos com a intenção
positiva. Significa mudar a história sobre a mágoa e que
tomamos melhores decisões para orientar a vida; significa que nos
sentimos melhor.
O livro oferece técnicas para a cura pelo perdão que o autor
desenvolveu e procurou comprovar cientificamente.
O perdão acima de tudo é uma opção. È
uma opção para encontrar a paz e viver a vida com plenitude.
Podemos escolher entre ficar paralisados na dor e frustração
do passado ou buscar o potencial do futuro. É uma opção
que todos podemos fazer, e é uma opção que nos conduzirá
a uma vida mais saudável e feliz. A pesquisa científica
realizada por Luskin mostrou os benefícios à saúde
promovidos pelo aprendizado do perdão.
Ao prestar atenção, você percebe que o mundo em que
vivemos é um lugar complexo e milagroso. Ninguém sabe o
que acontecerá amanhã. Todos temos vidas repletas de sucessos
e fracassos, de sofrimentos e alegrias. Por toda parte, podemos encontrar
amor e beleza, assim como egoísmo brutal e falta de amabilidade.
O perdão, assim como outras emoções positivas, como
esperança, compaixão e apreço, são expressões
naturais do ser humano. Essas emoções existem numa parte
profunda de cada um. Como muitas coisas, essas emoções exigem
prática para se aperfeiçoarem. Quando exercitamos essas
emoções positivas, elas se tornam mais sólidas e
fáceis de serem encontradas. O perdão abre partes maravilhosas
de nosso ser.
O perdão pode ser uma resposta natural ao sofrimento tanto como
a raiva e a dor. Todos podemos adquirir o Poder do Perdão e desejá-lo,
beneficiando a mente, o corpo, as relações, a comunidade
e o espírito.
Recordemos que a Vida nem sempre nos é favorável e o processo
de reconciliação com esse fato é uma tarefa inevitável
da Vida.
Márcia Regina Colasante Salgado
17/08/03
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