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O
reencontro
O amor
é uma força ativa no homem; nele, ocorre o paradoxo de que
dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.
Há que diferenciarmos afeto ativo e passivo. Na prática
do primeiro, o homem é livre; no exercício do segundo, ele
é impelido, é objeto de motivações de que
ele próprio não tem consciência.
Portanto, amor é uma ação, é a prática
de um poder humano, que só pode ser exercida na liberdade e nunca
como resultado de uma compulsão; é bastante diferente das
paixões, que podem nos impulsionar à inveja, ciúme
e ambição.
Amar, antes de tudo, consiste em dar, não em receber, sendo o ato
muito prazeroso, pois é nele que se encontra a expressão
de nossa vitalidade. Mas, para muitos, doação é sinônimo
de sacrifício e privação.
Amar implica sempre cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.
Respeito significa a preocupação de que a outra pessoa cresça
e se desenvolva por si mesma e não para servir-me. Se amo a outra
pessoa, sinto-me um com ela, ou ele, mas com ela tal como ela é.
E conta a lenda que nos tempos dos deuses imortais, no Olimpo, os seres
humanos eram hermafroditas e viviam dentro de si próprios as plenitudes
do amor; mas, por serem mortais, frustravam-se ao saberem que um dia não
mais conseguiriam usufruir felizes os seus sentimentos. E foram todos
diante de Zeus exigir para eles a imortalidade, que lhes foi negada veementemente.
Revoltados, os humanos fizeram diversas ameaças a Zeus e este,
num acesso de fúria, dividiu-os exatamente ao meio, em masculino
e feminino e arremessou-os em direções opostas, condenando-os
à triste separação e a terem que se buscar numa árdua
procura.
Zeus, mais tarde, consciente que o amor leva a atitudes impetuosas e precipitadas,
tentando amenizar o castigo, ditou a promessa que cada um que viesse a
encontrar sua outra metade, aí sim ele os tornaria, transformaria
em um único amor contido em dois corações, numa só
alma imortal.
E nesse mês de junho, em que se comemora o Dia dos Namorados, desejo,
aos nossos leitores, o reencontro com a cara-metade perdida, caso isto
ainda não tenha ocorrido. O importante é saber que ela existe
e cabe a você reconhecê-la.
artigo escrito para a revista
Praia e Sol (junho/2005)
Mônica de Lima Azevedo
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