SOBRE A MORTE E O MORRER

A vida é dura. A vida é luta. Viver é como ir à escola. Dão a você muitas lições a estudar. Quanto mais você aprende, mais difíceis ficam as lições. Quando aprendemos as lições, a dor se vai.
A morte faz parte da vida. Quando acabamos de fazer tudo o que viemos fazer aqui na Terra, podemos sair de nosso corpo, que aprisiona nossa alma como um casulo aprisiona a futura borboleta. E na hora certa podemos deixá-lo para trás, e não sentimos mais dor, nem medo, nem preocupações _ estamos livres como uma linda borboleta voltando para casa, para Deus...
No entanto, ao tomar conhecimento de uma doença que evolui para uma fase terminal, os pacientes, assim como todas as pessoas que sofrem uma perda, passam por estágios semelhantes descritos a seguir:

Primeiro estágio: negação e isolamento.
O paciente não aceita seu diagnóstico.

Segundo estágio: a raiva
O paciente apresenta raiva e revolta devido ao diagnóstico. Inveja e ressentimento de quem continua saudável e com uma vida profícua.

Terceiro estágio: barganha
Tentativa de negociar com Deus em troca de um pouco mais de tempo na Terra. É geralmente mantida em segredo, dita nas entrelinhas ou no confessionário.

Quarto estágio: depressão
Quando o paciente em fase terminal não pode mais negar sua doença, começa a apresentar sintomas e tornar-se mais debilitado. Há um sentimento de perda na fase inicial. O paciente necessita exteriorizar seu pesar. É a depressão reativa. Na segunda fase o paciente apresenta uma depressão preparatória, que leva em conta a perda iminente de todas as pessoas e objetos amados e o doente contempla sua morte. Nesta fase há pouca necessidade de palavras e o paciente precisa de um toque carinhoso de mão, um afago nos cabelos, ou apenas um silencioso “sentar-se ao lado”. Muitas vezes, pode pedir para rezar. Começa a se ocupar com as coisas que estão à sua frente e não com as que ficaram para trás. Neste estágio a interferência excessiva de visitantes que tentam animá-lo retarda sua preparação emocional para o estágio final.

Quinto estágio: aceitação
O paciente que tiver podido externar seus sentimentos e recebido alguma ajuda atravessará os estágios anteriores e contemplará seu fim próximo com certo grau de tranqüila expectativa. Estará cansado e bastante fraco, na maioria dos casos. Sentirá necessidade de cochilar, de dormir com freqüência a intervalos curtos, como um recém-nascido, mas em sentido inverso. É como se a dor tivesse esvanecido, a luta tivesse cessado e fosse chegado o momento do “repouso derradeiro antes da longa viagem”. Encontra certa paz e aceitação.
O médico, a enfermeira, a assistente social, pode ser de grande valia nestes momentos finais, se souberem entender os conflitos da família e o silêncio do moribundo que vai além das palavras. Aqueles que tiverem a força do Amor saberão que tal momento não é assustador e nem doloroso, mas um cessar em paz do funcionamento do corpo.

Extraído dos livros “Sobre a Morte e o Morrer” e “A Roda da Vida”, de Elisabeth Kübler –Ross
Márcia Regina Colasante Salgado

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